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A dificuldade de fechar a conta na hora de botar o bloco na rua

Evento chega ao último fim de semana marcado por debates sobre questões estruturais e financeiras. O V&A entrou na discussão para fazer um balanço do período em 2018

01:30 | 03/02/2018

Com os diversos eventos pré-carnavalescos que ocorreram em Fortaleza neste início do ano, tanto do circuito oficial da Prefeitura quanto de iniciativas independentes, o debate foi além do brilho e das fantasias e chegou às questões estruturais e financeiras dos blocos e festas.


Novidade de 2018, o Pra Quem Gosta É Bom, criado por um grupo de amigos, participou da folia fora do oficial Ciclo Carnavalesco da Prefeitura. Para ensaios e outros eventos pontuais, o bloco teve apoio do bar Moto Libre, mas só conseguiu sair de fato às ruas em um dia, 20 de janeiro, na Praça Waldemar Falcão (Praça dos Correios, no Centro). “Nosso ideal é que o bloco esteja na praça, mas só nesse dia a gente conseguiu, e às custas do apoio de amigos e familiares”, afirma Marcos Romano, membro do bloco. “O planejamento para a saída foi baseado em orçamentos do que íamos precisar: palco, som, iluminação. Chegamos num valor e vimos que íamos ter que ralar”, conta.

[SAIBAMAIS]

As ações para financiar a saída consistiram na “venda de camisas, tatuagens adesivas e cervejas” realizadas em eventos como ensaios abertos. “O bloco chegou a tentar o auxílio financeiro junto à Prefeitura via Edital de Apoio aos Blocos de Rua, mas não foi selecionado. “Mesmo se a gente tivesse sido, o valor oferecido aos blocos estreantes cobria 50% de só um dia de bloco na rua, não teria viabilizado que a gente colocasse nos quatro finais de semana do pré”, aponta.


Jolson Ximenes, da banda Os Transacionais, que promove o bloco Chão da Praça em parceria com o Centro Dragão do Mar desde 2013, avalia como positivo o surgimento de novos blocos, mas ressalta o despreparo do poder público em lidar com o cenário. “Os blocos mais novos estão colocando a cara na rua, entendendo que a iniciativa tem que partir deles. Porém, a ajuda de órgãos públicos é fundamental: financeira, suporte nas licenças, Autarquia de Trânsito, Polícia Militar”, elenca. “A Prefeitura acaba sendo omissa na hora de dar esse suporte, o que levou a perdas significativas ao longo do tempo, como o Sanatório Geral. O Glitter, mesmo que tenha tido suporte do local, tomou uma proporção muito grande e o Mercado dos Pinhões não suportou. O crescimento é positivo, mas é negativo que a prefeitura não tenha se preparado para crescer junto das iniciativas que estão surgindo”, sublinha.


Em entrevista por telefone ao O POVO, o titular da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), Evaldo Lima, ressaltou a antecedência da realização do plano operacional para o período da folia. “Há seis meses, todas as terças na Secultfor foram dedicadas a fazer o plano operacional para o Ciclo Carnavalesco oficial, existe o devido processo administrativo”, explica. Evaldo ressalta ainda a importância da divisão de responsabilidades no contexto da folia. “É uma responsabilidade que comporta ao estado, claro, mas também aos organizadores dos vários blocos da cidade. Temos clareza que o valor disponibilizado no edital de apoio aos blocos de rua não contempla as necessidades totais - estrutura, adereços, segurança, limpeza, músicos - mas ele é um incentivo, um fomento. Para contemplar tudo, é necessário que os blocos busquem parcerias, patrocínio”, afirma o secretário. “Por exemplo, assim como em 2017, o Carnaval de 2018 de Fortaleza também terá a presença da iniciativa privada apoiando a festa. É uma responsabilidade que precisa ser compartilhada e consolidada”, resume.

 

PROGRAMAÇÃO


Pré do Lions

Quando: hoje, 22 horas

Onde: Bar Lions (Rua Gen. Bezerril, 356 - Centro )

 

Pra Quem Gosta

É Bom no Pré da Ladeira

Quando: domingo, 4, 15h

Onde: Bar Moto Libre (Av. Monsenhor Tabosa, 419)

 

Chão da Praça

Quando: 8/2, 19 horas

Onde: Praça Verde (Rua Dragão do Mar, 81)

 

Festa Axé é lindo, bb!

Quando: dias 9 e 12/2 (horários a definir)

Onde: Teatro Carlos Câmara (Rua Senador Pompeu, 454) e Mambembe (Rua dos Tabajaras, 368)

informações: facebook.com/ DjTomeBraga e facebook.com/djkinas

 

JOÃO GABRIEL TRÉZ

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