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Mulheres vítimas de violência são "santificadas" no interior do Estado

01:30 | 23/01/2018
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Maria de Bil não é a única vítima de feminícídio no Estado que acabou se tornando símbolo religioso. São muitas as santificadas. Entre elas, a Mártir Francisca, no município de Aurora. Morta em 1958 pelo ex-noivo com onze facadas, a cearense tem uma capela em sua homenagem no sítio Creôlas.Em Santana do Cariri, tem a Benigna, adolescente morta em 1941 por Raul, um homem que não aceitou um “não”. Em Reriutaba, a Isabel. Em Mombaça, a Suzete.


Para Daniele Alves, que cursa doutorado na UFC com pesquisa sobre o assunto, a história dessas mulheres acaba despertando compaixão e curiosidade. “Pela própria particularidade histórica, o nordestino segue os preceitos da Igreja Católica, bem como, cria espaços para configurá-lo a sua maneira. Na nossa cultura, existe, contudo, um misticismo peculiar”, avalia.


A estudiosa problematiza a construção dessas figuras. “Essa representação (das santificadas) está ligada à forma idealizada da mulher, numa sociedade em que ainda preza pela passividade feminina (mãe/caridosa e sem vaidade), constituindo, portanto, as características primordiais desta ‘santa popular’”.

GABRIELLE ZARANZA

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