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Mestre da música, Astor Piazzola ganha tributo na Caixa Cultural

Mestre da música argentina ganha tributo feito pelo neto ao lado da premiada cantora Elena Roger

01:30 | 18/01/2018
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Uma das figuras mais relevantes da música internacional vai ter sua obra celebrada em Fortaleza. Astor Piazzolla, músico responsável por um rejuvenescimento e atualização do tango, será homenageado no show 3001 Proyecto Piazzolla, que segue na Caixa Cultural, de hoje, 18, até domingo, 21. As apresentações reúnem a premiada cantora argentina Elena Roger com seus conterrâneos da banda de jazz Escalandrum, liderada pelo baterista Daniel “Pipi” Piazzolla, neto de Astor.


A música de Piazzolla é fruto de uma experiência no tango tradicional com o conhecimento do jazz norte-americano. Alie a essa mistura uma forte noção de arranjo orquestral e um senso de dramaticidade ímpar. O ritmo acelerado de Libertango e as paisagens sonoras de Adios Nonino (feita para o pai falecido) comprovam esse conhecimento musical que vai além da partitura.


Nascido em 11 de março de 1921, em Mar Del Plata, cidade portuária da província de Buenos Aires, Astor Pantaleón Piazzolla foi ainda pequeno morar com os pais em Nova York. Foi na terra do jazz onde ele passou boa parte da juventude e teve as primeiras lições formais de música. Voltando adolescente para sua terra, começou a tocar em orquestras.


“Meu avô mudou o tango para melhor. O evolucionou. Agora, o tango, graças a ele, se toca e se escuta no mundo todo e é catalogado como música importante”, resume Daniel Piazzolla, por email. Foi inclusive o avô, reconhecido pelo toque do bandoneón (instrumento de fole típico do tango), quem deu ao neto - que até então estudava piano-, a primeira bateria. “Ele era muito divertido, bem alegre. Gostava de fazer muitas brincadeiras, ir ao cinema, ver filmes de ação e comer muito bem”, revela.


Entre muitas viagens, Astor Piazzolla também se aproximou do Brasil. Tocou com Tom Jobim, participou do programa Chico & Caetano (Globo), nos anos 1980, e foi homenageado por Elza Soares, que gravou Fadas em versão de tango para marcar os 10 anos de morte do compositor argentino, com quem teve forte ligação no tempo em que morou em Buenos Aires. “Meu avô amava o Brasil, onde fez muitos amigos e shows. Sempre me falou maravilhas do povo brasileiro. A mim, passa exatamente o mesmo. Tenho tocado muitas vezes no Brasil e sempre é uma experiência incrível”, conta Daniel.


Daniel Piazzolla montou o Escalandrum há cerca de 20 anos, com a proposta de levar a música argentina para o mundo. Não só conseguiu, como foi reconhecido em prêmios e festivais internacionais. Numa dessas paradas, em Nova York, conheceu Elena Roger, que apresentava na Broadway o espetáculo Evita. Do encontro, nasceu um espetáculo em conjunto que traz canções como Balada para un loco, Balada para mi muerte, Chiquilín de Bachín e La bicicleta blanca.


Daniel indica alguns nomes importantes para se conhecer a música portenha de hoje: Lautaro Greco, Nicolas Sorin e Guillermo Klein, por exemplo. E quando o assunto é o que representa o avô para a música argentina atual, ele não economiza: “é o músico mais importante da história de nosso país”. Mas é claro que as inovações propostas por Piazzolla não iriam passar em branco para os puristas. Sim, ele foi muito criticado por descaracterizar um patrimônio da nação. Quando diziam que sua música não era, de fato, o tango, Piazzolla retrucava dizendo que era “música contemporânea de Buenos Aires”. Para Daniel, essa definição continua atual. “Sim. É muito válida. Hoje em dia seria música de Buenos Aires”.

 

3001 PROYECTO PIAZZOLLA COM ELENA ROGER


Quando: de hoje, 18, a sábado, 20, às 20h, e domingo, 21, às 19h


Onde: Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)


Quanto: R$ 20 (inteira)


Informações: 3453 2770

 


 

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