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Me chame pelo seu Nome, favorito a indicação ao Oscar, estreia hoje

Favorito a uma indicação ao Oscar de melhor filme, o drama gay Me Chame Pelo Seu Nome, do italiano Luca Guadagnino, estreia hoje nos cinemas de Fortaleza

01:30 | 18/01/2018
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“O usurpador”, queixa-se, em francês, o jovem ítalo-americano Elio (Timothée Chalamet), 17 anos. Ele se refere ao estudante Oliver (Armie Hammer), que se hospedaria durante o verão no quarto de Elio para ser tutoreado pelo sr. Perlman (Michael Stuhlbarg), pai do garoto, em uma casa no norte da Itália, em 1983. A essa invasão indesejada, segue outra. Aos poucos, Oliver quebra a fachada distante de Elio e a aversão se torna atração, com atração virando aquela confusão que se chama “primeiro amor”.


Me Chame Pelo Seu Nome seduz a cada escolha do diretor Luca Guadagnino. Armie Hammer, um dos atores mais indiscutivelmente bonitos do mundo, é a sedução mais óbvia, mas o cineasta italiano guarda seus truques. Chalamet é quem surpreendente. Elio é inteligente, talentoso e parece seguro, mas o jovem ator também desagua inseguranças, fragilidades e um nível de complexidade impressionante. É ele, ao lado de Guadagnino, o principal responsável pela trajetória premiada do filme até aqui.


Indicado a três Globos de Ouro, quatro Baftas e presente na lista de melhores do ano de dez entre dez associações de críticos nos Estados Unidos, o longa é uma adaptação do romance homônimo de André Aciman. Com essas credenciais, Me Chame Pelo Seu Nome é o provável único candidato a suceder Moonlight: Sob a Luz do Luar como o drama LGBT favorito ao Oscar.

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Nesta edição, o filme de Luca Guadagnino deve levar indicações para as categorias de filme, ator (Chalamet), diretor, roteiro adaptado (James Ivory) e talvez ainda design de produção, fotografia e ator coadjuvante (Stuhlbarg ou Hammer). De tão boa, a recepção ao filme despertou o desejo de uma sequência, confirmado por Guadagnino.


Para além do rótulo de drama gay, Me Chame Pelo Seu Nome é um filme complexo e envolvente. Existe, por exemplo, um contraponto entre a bela trilha sonora – encabeçada pela belíssima Mystery of Love, de Sufjan Stevens – e a lenta construção do romance entre Elio e Oliver. É tudo mais sensorial do que verbal. Os belos diálogos do livro funcionam mais como intertextualidade, como guias do desenvolvimento dos sentimentos entre os dois. Na prática, é a câmera que expõe o que acontece no interior dos personagens, algo que Luca Guadagnino emprega em seus filmes há anos, como pode ser notado em Um Sonho de Amor (2009). Na emblemática cena do pêssego, por exemplo, pouco importa o que um diz ao outro. Importa mais o que dizem os olhares.


Me Chame Pelo Seu Nome é, claro, um filme sobre descobertas, como todos os longas “coming of age” (de despertar da juventude). É sobre o quanto uma relação íntima pode revelar para nós mesmos. Ou, como define Oliver: Me chame pelo seu nome que eu lhe chamo pelo meu”. Guadagnino vê, e filma, o amor como duas almas refletidas um no outro. Com todas as dores e prazeres que o sentimento traz. O longa é mais que um drama homossexual sobre dois homens privilegiados. É sobre poder ser frágil, poder fugir da realidade, ainda que só por seis semanas.

 

Outros filmes LGBT no Oscar


MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (2016)

Primeiro e até hoje único longa de protagonista LGBT a ganhar o Oscar de Melhor Filme. A obra mostra o crescimento de um jovem negro, pobre e homossexual.

 

CAROL (2015)

Indicado a seis Oscar, o filme de Todd Haynes foi o injustiçado de 2016. No longa, uma aspirante a fotógrafa se envolve com uma mulher mais velha na Nova York dos anos 1950.

 

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (2005)

O filme venceu três Oscar, mas perdeu o prêmio principal para o fraco Crash – No Limite. O longa conta a história de dois cowboys que se apaixonam.

 

UM DIA DE CÃO (1975)

Vencedor do Oscar de Roteiro Original, o filme  se centra num homem tenta roubar um banco para poder bancar a  transição de gênero da sua amante.

 

CABARET (1972)

Maior vencedor do Oscar sem a honraria principal, levou oito estatuetas em 1973. No filme, uma dançarina se envolve com dois homens, um deles o escritor bissexual Brian.

GABRIELLE ZARANZA

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