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Margareth Menezes celebra a música nordestina na Caixa Cultural

Contando três décadas de carreira, Margareth Menezes volta a Fortaleza para inaugurar a segunda parte do projeto Rebeldia Nordestina, em curta temporada de shows na Caixa Cultural

04/01/2018 01:30:00
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Margareth Menezes tem uma relação muito particular com a música produzida na região onde nasceu. Baiana, ela vai muito além da alegria cantada no Carnaval de Salvador, presente em sua vida há 30 anos. Em janeiro do ano passado, a cantora levou sua voz ao teatro da Caixa Cultural Fortaleza em três dias do show batizado Rebeldia Nordestina. Era a estreia de um projeto que percorreu outros palcos do Brasil, em que ela interpretava nomes que cravaram suas marcas na música do Nordeste dos anos 1970 e 1980. Acordes de Fagner, Belchior, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Raul Seixas, Doces Bárbaros, A Cor do Som e outros.


Margareth volta ao palco da Caixa Cultural Fortaleza de amanhã, 5, até domingo, 7, trazendo a continuidade do projeto. Assim como no ano passado, ela inaugura o show Rebeldia Nordestina II - Música Contemporânea aqui no Ceará, sendo a primeira temporada de apresentações pelo Brasil. Os ingressos começam a ser vendidos hoje, apenas de forma presencial, na bilheteria da Caixa Cultural.


No repertório, Margareth conta, está uma visão urbana da poesia e da estética nordestina cantadas por Flávia Venceslau, Zeca Baleiro, Chico César, Lenine, Carlinhos Brown, Jorge Portugal e outros nomes escolhidos por ela. É a música urbana, como bem define. “Neste projeto, no I e no II, eu canto pessoas que mudaram a cara da música da geração delas”, resume.


Muitos dos compositores que Margareth celebra em Rebeldia Nordestina já foram gravados por ela em diversos momentos da carreira, como a popular Dandalunda (Carlinhos Brown), Mãe de Leite (Zeca Baleiro), Do mar, do céu, do campo (Belchior) e Olho do Farol (Geraldo Azevedo).


Além dos homenageados nos shows, ela gravou ainda os nordestinos Luiz Caldas, Pepeu Gomes, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Estes dois últimos, inclusive, ganharam homenagem no disco Para Gil e Caetano, lançado em 2015. A escolha do repertório, portanto, foi bastante natural para ela, já que são figuras, de alguma forma, presentes nas três décadas de trajetória que ela coleciona.


O repertório de Margareth é todo costurado e bem arquitetado. Grande parte de seu trabalho, principalmente a partir dos anos 1990, é fruto de muita pesquisa sobre o afropop, que, a grosso modo, reúne referências culturais e artísticas do continente africano e da cultura pop. Precursora e ícone musical do estilo, ela conta que é uma reflexão que influenciou seu pensamento e a maneira como percebe a música.


“É uma identidade definida no pensamento musical. A gente une essas duas linguagens, em pesquisa que comecei ainda 1992”, lembra. “As músicas carnavalescas que eu canto têm outra linguagem. O afropop é um comportamento de mais profundidade, pode ser representado, por exemplo, por Olodum, Chico Science… Ah, e o Baiana System é puro afropop também”. Como lembra a cantora, foi com esta linguagem que a música contemporânea brasileira aportou fora do Brasil e segue tendo Margareth como uma porta-voz, para além do axé, da MPB e dos muitos estilos que ela encarna.

 

SERVIÇO

 

Quando: amanhã, às 20h; sábado, às 18h e às 20h e domingo, às 19h

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). À venda a partir de hoje, na bilheteria da Caixa

Onde: Caixa Cultural (av. Pessoa Anta, 287 - Praia de Iracema)

Telefone: 3453 2770

 

Camila Holanda

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