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Filme remonta militância contra a aids na França dos anos 1990

Ao recontar a militância contra a aids na década de 1990 na França, drama ganhador de prêmio em Cannes inspira o movimento

04/01/2018 01:30:00
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Em determinada cena do drama 120 batimentos por minuto, testemunhamos um ato do movimento Act Up Paris no qual a arma dos membros é, simplesmente, pó. O grupo francês foi criado em 1989 para conscientizar a população em relação à aids e para lutar pelos direitos dos soropositivos. No referido ato, a força e a energia que movem os militantes — em sua maioria membros da comunidade LGBT, tanto soropositivos quanto negativos —, fazem com que o tal pó vire a arma mais pesada e certeira que poderia ser usada.


Reconstruindo o início da década de 1990 na França, época em que o país vivia uma epidemia de aids ignorada pelo poder público, o filme de Robin Campillo remonta a luta do grupo a partir de Sean (Nahuel Pérez Biscayart), um veterano do Act Up, e Nathan (Arnaud Valois), novato na militância. O drama, vencedor do Grande Prêmio do Júri do último festival de Cannes, estreia hoje no Cinema do Dragão.

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Estruturalmente, o filme se baseia em três pilares que vão se entremeando ao longo das 2h20min de duração: sequências de ações, que trazem ao espectador o vigor e a atmosfera dos atos e passeatas; sequências de conversas, sem receio de se demorar, em momentos como as reuniões semanais do grupo, ou os burocráticos encontros com representantes de laboratórios farmacêuticos que se negam a disponibilizar remédios para os doentes ou até as brigas entre os próprios membros por divergências na abordagem de militância; e, finalmente, sequências pessoais, como as festas do grupo, os momentos de amizade e cuidado mútuo entre eles, e a construção da relação entre Sean e Nathan.


É a partir dessa mistura física, cerebral e afetiva que 120 batimentos por minuto consegue, principalmente, inspirar. Os personagens podem ter divergências, sejam elas políticas ou pessoais, mas sabem também, principalmente, que têm convergências e é por elas que eles não se deixam imobilizar uns aos outros. A luta do Act Up é pela conscientização da população e dos poderes público e privado em relação à aids, mas os paralelos entre elas e as diversas outras da atualidade são inúmeros. Da força da ação, da fala e do afeto, podemos tirar valiosas lições para nossas lutas.


“Ação é vida”, frase que vem no título da matéria, é inspirada em um dos slogans usados pelo grupo para sensibilizar a população para a causa. Já “política em primeira pessoa” é o que um personagem carinhosamente diz que outro faz. Ambas as ideias resumem bem a tal inspiração que o longa provoca: 120 batimentos por minuto lembra que é necessário se movimentar.


 

 

João Gabriel Tréz

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