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Festival Rec-Beat desembarca em Fortaleza e Sobral

Atrações locais dividem espaço com nomes nacionais e internacionais em duas prévias do evento, em Sobral e Fortaleza

01:30 | 18/01/2018

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No ano em que o Rec-Beat celebra 23 anos de existência (e resistência) no cenário da música independente no País, o festival realiza quatro edições prévias fora de seu palco habitual, o Cais da Alfândega (PE). Nesta sexta, 19, e sábado, 20, o evento desembarca em terras cearenses, trazendo para Sobral e Fortaleza uma parte das atrações que já estão confirmadas para os quatro dias de folia alternativa em 2018.


A pernambucana Karina Buhr, a baiana Larissa Luz, o paraense Lucas Estrela e a dupla colombiana de música eletrônica Mitú irão dividir o palco com o cearense Daniel Peixoto e, antes das apresentações, o som ficará por conta dos DJs Catiguria e Viva la Pachanga. Em Sobral, o evento acontecerá na praça São João e, chegando a Fortaleza, o local será a Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Praia de Iracema). Em ambos, o acesso é gratuito.


Em fase de divulgação do segundo CD, batizado de Território Conquistado (2016), Larissa Luz – que também é atriz e já integrou a conhecida banda Araketu – fará seu primeiro show em Fortaleza, destacando canções autorais, mas também releituras de algumas cantoras negras que foram referência e inspiração para ela durante o processo de feitura do atual trabalho, que surge após MunDança (2013). “Canto Nina Simone, Elza Soares (que também participa do atual CD), recito poema de Victória Santa Cruz”, adianta.

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Do CD, a faixa Bonecas Pretas traduz sua inquietude desde a época da infância. “Fiquei olhando para mim mesma e me lembrei, quando criança, de como fez falta eu ver negras nas revistas, nas bonecas em lojas... E eu acho que isso tem muita relevância! Resolvi, então, fazer esse manifesto sobre o racismo da indústria dos brinquedos”, explicou ela, que cresceu influenciada por uma diversidade de estilos e sonoridades. “Sempre ouvi Djavan, Marisa Monte, mas eu descobri o rock’n’ roll na adolescência. As mulheres do rock me inspiravam muito”.


Karina Buhr, por sua vez, já é veterana do Rec-Beat. “Participei de várias edições, com várias bandas, inclusive do primeiro Rec-Beat, em 1994, no Aeroanta (SP). Fui com o Velho Mangaba e suas Pastoras Endiabradas e com a banda Eddie. A grande história do Rec-Beat é a conversa com o que está acontecendo no momento do festival, sempre foi assim, e essa ligação tão massa com a rua, pra todo mundo assistir. Muitas vezes quem nem conhece teu som acaba sendo contagiado e, assim, a gente espalha nossa música e também conhece outras”.


Karina irá mesclar o repertório de Selvática (2015) com algumas canções que integram os CDs Longe de Onde (2011) e Eu Menti pra Você (2010). Sua relação com a terrinha também é forte. “Amo Fortaleza, tenho muitos amigos, incluindo Fernando Catatau, que toca comigo (que só não vai estar porque tem show do Cidadão Instigado em Salvador). Nunca fui pra Sobral, quero muito ir e mais ainda chegar fazendo esse show”, conclui.


Prata da casa, Daniel Peixoto não esconde a expectativa. “Tô mega animado e quero fazer bonito, já que sou o único cearense no evento. Vou misturar as minhas duas bandas e também tô preparando uns covers, já que estamos no espírito carnavalesco”. O line-up completa-se com Lucas Estrela e o duo Mitú, que trará o repertório de Cosmus (2017).


FESTIVAL REC-BEAT: PRÉVIAS EM SOBRAL E FORTALEZA

 

Atrações: DJs Catiguria, Colorida (Sobral), Larissa Luz (BA), Lucas Estrela (PA), Mitú (COL) e Karina Buhr (PE)


Quando: amanhã, 19, a partir das 19 horas


Onde: Praça São João (município de Sobral)


Gratuito


Info: (88) 3611 3324

 

Atrações: DJs Viva la Pachanga, Larissa Luz (BA), Daniel Peixoto, Lucas Estrela (PA), Mitú (COL) e Karina Buhr


Quando: sábado, 20, a partir das 19 horas


Onde: Praça Verde do Centro Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)


Gratuito


Info: (85) 3488 8600

 

GUTIE


Início e expectativa


Idealizador do Rec-Beat, Antônio Gutierrez, o Gutie, não tinha grandes ambições em relação ao festival, que teve Olinda como primeiro palco. “Não me passava pela cabeça a dimensão que ele iria tomar com os anos. Meu único objetivo era me divertir e mostrar um pouco da nova música pernambucana no contexto do Carnaval. No início, muitos pensavam que o festival era pra quem não gostava de carnaval”, disse.


Quanto à diversidade de estilos, ele explica que “ a programação aparenta ser caótica. Mas existe um lógica naquele caos. Por isso que quando me perguntam o que entra eu simplifico: cabe tudo, mas não qualquer coisa”, afirma ele, que pretende inserir o festival num calendário fixo. “Tudo caminha para isso. A parceria com a Ecoa (de Sobral) e o Dragão do Mar (Fortaleza) tem sido muito estimulante. Adoraria voltar a repetir essa experiência em 2019 e entrar para o calendário de prévias dessas cidades”.

 

Confira a entrevista completa com o idealizador do festival Antônio Gutierrez: https://bit.ly/2ESoBzI

TERESA MONTEIRO

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