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Entre a comédia e o drama, Deus Salve o Rei estreia hoje na Globo

Deus Salve o Rei inova ao descolar história de amor para ambiente de guerra entre dois reinos na Idade Média. Comparada à série Game of Thrones, trama equilibra drama e comédia

01:30 | 09/01/2018
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Esqueça o cenário urbano normalmente ambientado no Rio de Janeiro das novelas da Rede Globo. Espere castelos medievais, exércitos em guerra e poderes sobrenaturais. Deus Salve o Rei, nova trama das sete, estreia hoje, 9, e já chega despertando curiosidade nos espectadores pela ambientação que lembra produções como Game of Thrones, série de sucesso mundial da HBO. De autoria de Daniel Adjafre e direção de Fabrício Mamberti, o novo folhetim tem como foco a história de dois príncipes, Afonso (Romulo Estrela) e Rodolfo (Johnny Massaro) que, por motivos diferentes, não querem o trono.

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A trama se divide entre dois reinos: Montemor – rico em minério de ferro ­– e Artena – abundante em água. Os dois têm acordo de coexistência em que um fornece recursos para o outro. A paz, porém, é rompida com a morte da rainha de Montemor, Crisélia (Rosamaria Murtinho), avó de Afonso e Rodolfo. O primeiro abdica do trono por paixão pela plebeia Amália (Marina Ruy Barbosa) e o segundo tem medo da coroa e prefere aproveitar as mordomias da nobreza.


“Um cenário tão rico em detalhes retratando a Idade Média por si só já traz um elemento inovador. Mas, para além disso, Deus Salve o Rei se aproxima dos romances de cavalaria, gênero literário tipicamente medieval, tendo o seu auge entre o fim do século XV e o começo do século XVII. Derivados da poesia épica, transformaram-se em narrativas de cavalaria”, aponta Mauro Alencar, doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana pela Universidade de São Paulo (USP). Para o pesquisador, autor de A Hollywood Brasileira - Panorama da Telenovela no Brasil, a produção estreante trabalha em duas frentes de inovação: temática e narrativa, o que, segundo ele, deve agradar o público ávido por séries e outros produtos audiovisuais.

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Segundo o autor da novela, o folhetim das sete parte de um questionamento central norteador das ações dos personagens. “A principal mensagem da novela é uma pergunta: as escolhas que nós fazemos ao longo da nossa vida podem realmente influenciar no nosso futuro ou é o destino que vai decidir isso? Acho que essa questão está bem discutida ao longo da novela: as escolhas que a gente faz e as consequências delas”, aponta o autor, que estudou dramaturgia no Instituto Dragão do Mar, em Fortaleza, no fim dos anos 1990. “É importante que o telespectador consiga se colocar no lugar daqueles personagens, sejam reis, rainhas, princesas ou plebeus”, aponta.

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O risco do novo

Historicamente a faixa das sete na Rede Globo é voltada para narrativas mais “experimentais”, tendo a comédia como constante. Não faltam exemplos de produções que inovaram como Além do Horizonte (2013), que apresentava a história de uma sociedade secreta com direito à monstro que atacava na floresta (o que levantou comparações com o seriado Lost). A produção, porém, foi um fracasso de audiência, assim como Bang Bang (2005), ambientada num faroeste, e O Beijo do Vampiro (2002), protagonizada por seres com poderes especiais. Tanto que, nos últimos anos, a emissora tem focado em tramas urbanas e com poucas inovações de ambientes, como Pega Pega (2017) e Haja Coração (2016).

 

“Acredito que o público está sempre desejoso de uma boa história, de produção que o encante, personagens com os quais ele, o público, poderá identificar-se e, consciente ou não, dividir as suas dúvidas, angústias, fantasias e por meio da arte dramática”, sustenta Mauro, afirmando que, mais importante do que a inovação de formato, é a manutenção de personagens que se conectem diretamente ao telespectador.

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Sobre a inserção da comédia, Daniel afirma que, apesar do tom de drama, os personagens de Deus Salve o Rei se verão em meio a muitas situações cômicas. “A comédia surge de uma forma mais integrada ao drama, sem que tenhamos um ‘rompimento’ muito forte na transição de um gênero para outro. E o que se destaca é o humor de situação. Os personagens cômicos também têm problemas reais, conflitos, dúvidas. Isso dá uma maior credibilidade a esses personagens, mais empatia”, garante.


 

 

 

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