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Bloco Iracema Bode Beat faz cortejo domingo, 28, na Praia de Iracema

Iracema Bode Beat bota o bloco na rua a partir desde domingo, 28, reunindo big band de jazz, banda de palco, cortejo, encenação e outros malabarismos

00:30 | 25/01/2018
ALÉM DA índia protagonista, outros personagens se envolvem nas tramas do bloco FOTO: MATEUS DANTAS
ALÉM DA índia protagonista, outros personagens se envolvem nas tramas do bloco FOTO: MATEUS DANTAS

Entre transgressões, chifre e atos de amor, a índia Iracema, o Bode Ioiô e o poeta Mário Gomes se tornaram um triângulo amoroso. Um roteiro improvável, é verdade, mas o Carnaval trata de tornar realidade. E os brincantes celebram o amor, o chifre e a poesia, como se tudo fosse a mesma coisa. E talvez até seja. Esta narrativa foi criada para conduzir o bloco Iracema Bode Beat, que estreou em 2017, levando quase 10 mil pessoas para a Praia de Iracema.

No ano que passou, a personagem de José de Alencar celebrou o romance com o famoso Bode Ioiô. Casaram no meio da avenida Almirante Tamandaré, num fim de tarde momino, conduzido pelo repertório dos músicos que formam a Iracema Big Band, orquestrados pelo maestro Ferreirinha. E, assim, a índia deu à luz o Carnaval, seu filho. Testemunhando a união, estavam - além dos brincantes - Gata do Brilho (Natália da Escócia), Lábios de Mel (Bianca Ellen), Gata del Fuego (Samara Garcia), além de malabaristas, artistas de rua e outros agregados.

A festa volta a acontecer neste domingo, 28, no Pré-Carnaval de Fortaleza, repetindo-se ainda no dia quatro de fevereiro e no domingo de Carnaval, dia 11. A concentração será às 16h20min no Largo dos Tremembés, e o cortejo fará um percurso pelo calçadão da Praia de Iracema, em direção à Ponte dos Ingleses, tendo a Praça Verde do Dragão do Mar como destino final. Se no ano passado, a Iracema e o Bode casaram, em 2018, o cortejo ganha novas cores, com outro episódio do romance. Desta vez, o poeta-andarilho Mário Gomes, que morreu em 2014, é recriado na pele do ator Murillo Ramos. Alguns personagens seguem em cena, como Gata del Fuego e Gata do Brilho, outros saem e novos chegam.

A índia, que ganhou vida em 1895, não é mais aquela virgem dos lábios de mel, cantada pelo romance indianista. Encarnada pela atriz e bailarina Yasmin Shirran, do coletivo As Travestidas, ela ganha nova leitura, sendo uma travesti indígena. “Ano passado, é como se tivesse acontecido o nascimento do Carnaval, depois do casamento. Só que o Bode, quando casa com a Iracema, ele já é chifrudo. Neste ano, vamos mostrar o nascimento desse chifre”, resume Tauí Castro, produtor cultural e diretor-geral do bloco. A narrativa, então, vai se ambientar em tempos anteriores ao casamento, uma espécie de prelúdio do que viria pela frente.

A traição, explica Tauí, acontece quando Iracema se encanta pelo poeta eternizado na figura andarilha de Mário Gomes, personagem histórico de Fortaleza. “Mário Gomes é a cara de Fortaleza, é um andarilho. O Mário Gomes é um grande arauto da rua. E o Carnaval é a rua”, festeja o ator Murillo Ramos. Ele até define: “Eu não ‘faço’ o Mário Gomes. Eu o devorei e vou colocar na rua o que penso que ele é”.

Os causos do triângulo amoroso são apenas uma fatia (grande) do bloco. Ao mesmo tempo em que a história se desenrola no meio da rua, uma big band de jazz entoa repertório carnavalesco para animar o público. Ano passado, lembra Tauí, o set list ficou muito voltado para o ritmo norte-americano, inspirado nos carnavais de Nova Orleans.

Desta vez, a mistura será ainda maior, levando músicas que vão de Moacir Santos a Doces Bárbaros, passando por Beatles, Santana, Fela Kuti, Gloria Gaynor, entre outros nomes. Tudo isto será entoado pela Iracema Big Band, conduzida pelo maestro Carlos Henrique Oliveira e com a participação do músico Márcio Resende.

Após o cortejo, o palco da Praça Verde recebe uma seleção de músicas ainda mais carnavalescas, cantadas por Nayra Costa e Daniel Groove, assim como no ano passado. “A gente acabou de sofrer um ataque de skinheads em Fortaleza. Ao mesmo tempo, em que o bloco tem a gente Iracema travesti, que é bastante celebrada. Ainda existe possibilidade de as coisas darem certo”, acredita Murillo. Para ele, o Carnaval tem mesmo de ser revolucionário. E revoluciona. “A gente fala muito de transgressão, e a transgressão está no corpo. No Carnaval, a gente se permite até a ser feliz”.

IRACEMA BODE BEAT

Quando: domingo, 28. Concentração às 16h20min

Onde: Largo dos Tremembés (P. de Iracema). O cortejo segue até a Praça Verde do Dragão do Mar.

CAMILA HOLANDA