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A imortalidade da arte

01:30 | 18/01/2018
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A arte da Pixar, estúdio de animação mais amado do mundo, gira em torno de sentimentos. Para além da base natural dos “desenhos”, a comédia, a produtora consegue imbuir generosas camadas de dramaticidade em filmes que são, ao mesmo tempo, leves e carregados. Nos melhores dias, a Pixar fez os três Toy Story (1995, 1999 e 2010), Monstros S/A (2001), Procurando Nemo (2003), Wall-E (2008), e Divertida Mente (2015). No mesmo modelo que contrapõe sentimentos de tristeza a uma trama “feel good”, “Viva: A Vida É Uma Festa”, de Lee Unkrich, trata da memória como a substância primordial do pós-vida. Ou seja, trata de morte e esquecimento com um tom feliz e musical.


Baseado na tradição do “Día de Los Muertos”, espécie de dia de finados mexicano, o filme mostra a viagem para o além de Miguel, um jovem amante da música em uma família que abomina qualquer melodia. Na tal data, cada família oferece presentes para seus entes já mortos e pendura as fotos para permitir que os parentes os visitem do pós-vida. Querendo tocar em um evento em uma praça, Miguel rouba o violão do famoso Ernesto de la Cruz e precisa receber o perdão de um familiar para voltar ao México.


A chave do filme é o jogo entre memória e esquecimento. No pós-vida, Miguel encontra Héctor, quase obliterado já que ninguém na Terra se lembra dele. Ernesto, gênio da música, recebe centenas de oferendas. Dessa forma, Viva estabelece a conexão entre a arte e a imortalidade. Obras inesquecíveis fazem artistas viverem para sempre. É um conceito complexo transformado em palpável na leveza e musicalidade do filme.

 

ANDRE BLOC

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