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Retrospectiva - O que vi de bom do audiovisual

01:30 | 26/12/2017

Saindo do modelo clássico das listas de melhores filmes do ano, divido um apanhado de movimentos, conjunturas, experiências e impressões relacionadas ao que vi e vivi no audiovisual em 2017. Não há ordem de preferência.

 

 

DAVID LYNCH - Twin Peaks: O Retorno, terceira temporada da série criada por Mark Frost e David Lynch, estreou em maio no canal Showtime. Nas últimas semanas, a obra figurou em altas posições nas listas de melhores filmes do ano de diversas publicações e críticos de cinema. Houve, claro, polêmica: uma série pode ser, como defendeu a revista francesa Cahiers du Cinéma, o melhor filme de 2017? Mas como pode não ser, alguns se perguntaram, se ela foi, segundo Lynch, pensada como um grande filme dividido depois em 18 partes? Filme ou série, Twin Peaks: O Retorno é, de longe, um dos maiores e melhores acontecimentos do audiovisual que tive o prazer de experienciar em 2017. Outro desses foi poder rever Cidade dos Sonhos (2001), também do diretor, no Cinema do Dragão.

 

 

CRAZY EX-GIRLFRIEND - A temporada da série de Rachel Bloom é a terceira, que ainda não assisti, mas foi somente neste ano que assisti às duas anteriores, dos anos de 2015 e 2016. Protagonizada pela própria Bloom, que interpreta uma advogada que não superou o fim de um relacionamento da adolescência, a série mistura comédia, musical, menções à cultura pop, personagens marcantes, ironia e debate sobre saúde mental.


 

CEARENSES NOS FESTIVAIS - É sempre bom ver o cinema brasileiro repercutindo em eventos nacionais e internacionais. Nesse sentido, um destaque especial vai para a presença cearense. Esquecendo de muitas obras, cito Pedro Rocha, que levou Corpo Delito à Mostra de Tiradentes, e Leonardo Mouramateus, que exibiu a co-produção portuguesa António Um Dois Três no Festival de Roterdã - ambos rodaram, ainda, por outros eventos. Em 2018, inclusive, Roterdã vai receber o longa Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diogenes, num projeto que envolve o Grupo Bagaceira de Teatro.

 


SILÊNCIO QUEBRADO - É encorajador e inspirador testemunhar estruturas de poder de uma indústria como Hollywood serem mexidas, em especial, por mulheres. As denúncias de diferentes formas de assédio e seus desdobramentos mostram a força desse movimento. Que ele perdure, reúna ainda mais força e se torne regra.

 

 

JOÃO GABRIEL, Repórter do Vida&Arte

 

ADRIANO NOGUEIRA

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