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Quando o sertão é um grande personagem

Na obra, o autor George Moura, o diretor artístico José Luiz Villamarim e o diretor Walter Carvalho voltam a trabalhar juntos. A parceria já rendeu bons frutos, a exemplo de O Canto da Sereia, Amores Roubados e O Rebu

01:30 | 18/12/2017

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Pelas estradas de terra que ligam as cidades da região chamada de Cariri Paraibano, no interior do Estado, circulam democraticamente carros, cavalos, motos. A trilha sonora regional é cortejada, o que não impede que os sucessos radiofônicos sejam ouvidos por todo canto. É esse o Nordeste contemporâneo que o autor George Moura não só desejava como cenário, mas também que se tornasse elemento fundamental de sua supersérie Onde Nascem Os Fortes, que tem previsão de estrear na Globo em abril.


O sertão é um personagem mesmo, assinala o diretor artístico José Luiz Villamarim. “Tudo está nesse lugar: os silêncios, o tempo, o calor, a poeira, a solidão”, diz. “Para contar essa história, a gente tinha de vir para cá, tinha que ficar aqui. Esse projeto parte desse pressuposto”, acrescenta ele, que está há três meses imerso com sua equipe no local. E, para Villamarim, conhecer o Lajedo de Pai Mateus, uma impressionante elevação rochosa situada em Cabaceiras - que destoa de todo aquele cenário de terra e plantas secas do entorno -, foi decisivo para ele entender o personagem Samir (Irandhir Santos), uma espécie de líder religioso da cidade fictícia Sertão que carrega a essência do sincretismo.

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Em Onde Nascem Os Fortes, George, Villamarim e o diretor Walter Carvalho voltam a trabalhar juntos. Essa parceria já rendeu importantes trabalhos, em O Canto da Sereia, Amores Roubados e O Rebu. A supersérie promete ser outra produção de tirar o fôlego com a assinatura do trio. “Eu queria contar uma história que fosse uma história de paixões. A paixão cria o amor, mas cria também, às vezes, o ódio, e diante do ódio, só tem uma saída, que é o perdão. Então, temos histórias de paixões, que criam o amor, que criam ódio, e nos empurram para o perdão”, conceitua George, que escreve a obra com Sérgio Goldenberg.

Trama


Na trama, os irmãos gêmeos Maria (Alice Wegmann) e Nonato (Marco Pigossi) viajam para Sertão, onde a mãe deles, a engenheira química Cássia (Patrícia Pillar), nasceu e saiu para estudar no Recife. Contra a vontade dela, os dois partem para a cidade à procura de novas trilhas de bicicleta.


Lá, suas vidas vão ser abaladas. Maria se apaixona por Hermano (Gabriel Leone), filho de Rosinete (Débora Bloch) e Pedro Gouveia (Alexandre Nero), dono da maior fábrica de bentonita da região — e uma atualização da velha figura do coronel. Já Nonato, após flertar com a amante de Pedro, Joana (Maeve Jinkings), some misteriosamente.


É a partir desse ponto que se inicia a trajetória de todos os personagens, que vão ser afetados por esse mistério. Cássia se vê obrigada a voltar a Sertão para ajudar a filha na busca por Nonato.

Por causa das circunstâncias que antecederam o sumiço do rapaz, Pedro se torna o suspeito número um aos olhos de Maria. Mas ela mexe com a pessoa errada.


Pedro também é o homem que ajuda Cássia quando ela chega à cidade, e, mais adiante, insinua-se um triângulo amoroso entre ela, Pedro e o juiz Ramiro (Fabio Assunção), o homem que se mostra prestativo na busca de Cássia pelo filho desaparecido, mas tem interesses escusos nessa história. “Ele é o poder da cidade, é o cara da lei: não as leis maiores, mas o poder de arquivar um processo, manipular uma prova”, descreve Fábio Assunção.

Gravações


A supersérie marca a volta do ator ao drama, após cinco anos emendando comédias românticas. Com barba e cabelo grisalhos, Fabio, em cena, aparecerá sempre em figurinos de linho, numa inspiração visual à Ariano Suassuna.


No dia 9 deste mês, Fabio, assim como Patrícia, voltou à Paraíba para mais gravações. Na cidade de Soledade, os dois fizeram cenas juntos. Em uma delas, Cássia, acompanhada pelo juiz, entra num bar, onde fica revoltada ao encontrar um cartaz que oferece recompensa para quem localizar sua filha, Maria - e não daremos aqui mais nenhum detalhe sobre o motivo de ela estar foragida.


Em outra cena, os dois estão dentro do carro, e, do lado de fora, uma nuvem de poeira os envolve. A poeira, aliás, acaba criando a estética da supersérie. A poeira das estradas de terra, a poeira que flutua na fábrica de bentonita - e que encobrem o povo de Sertão e seus segredos. (Agência Estado)

ADRIANO NOGUEIRA

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