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I Bienal Internacional de Teatro do Ceará tem como tema o feminino

Primeira edição da Bienal Internacional de Teatro do Ceará tem como tema o feminino a partir dos mitos

01:30 | 14/11/2017

A aula-espetáculo Kali, de Adelice Souza (BA) ISABEL GOUVEIA/DIVULGAÇÃO
A aula-espetáculo Kali, de Adelice Souza (BA) ISABEL GOUVEIA/DIVULGAÇÃO
 

Eis que surge um novo evento de debate e fruição das artes cênicas no Estado. É a Bienal Internacional de Teatro do Ceará (BITCE), que começa hoje na Capital e tem programação que se estende por Juazeiro do Norte, Crato e Sobral reunindo 44 atrações em 57 apresentações. O tema desta primeira edição é “Teatro, Mito e Feminino: Conexões” e dá protagonismo às artistas com espetáculos que enfocam as múltiplas formas de ser mulher. A abertura oficial é às 9 horas e tem início com seminário que reúne nove pesquisadoras em ciclos de debates que vão até às 17h30min no Centro Cultural Banco do Nordeste.

 

“A Bienal já nasce compreendendo o teatro no sentido amplo, que vai muito além da estética e da linguagem. Queremos um público maior, não apenas o do teatro, incluindo o Estado em sua multiplicidade e os movimentos sociais”, afirma Rejane Reinaldo, diretora da Escola Livre da Boca Rica, e idealizadora do evento, que é gestado há três anos. Sobre o tema, Rejane, que pesquisa as amazonas e outras guerreiras, explica que surgiu naturalmente na busca por unir sua pesquisa às questões pulsantes na atualidade. “Não pegamos só os mitos gregos, mas os africanos, os amazônicos. A mitologia é um grande aliado do teatro, a dramaturgia mundial é embasada assim (a partir desses heróis)”, explica.

O espetáculo Amazônicas, poéticas do mundo, de Acácia Mié (AM) TAMIRIS LIMA/DIVULGAÇÃO
O espetáculo Amazônicas, poéticas do mundo, de Acácia Mié (AM) TAMIRIS LIMA/DIVULGAÇÃO

A pesquisadora Hebe Alves, da Universidade Federal da Bahia, é uma das convidas do seminário, que reúne ainda nomes como Cecilia Raiffer (Universidade Regional do Cariri) e Teresa Esmeraldo (Universidade Estadual do Ceará), entre outras. “É o momento adequado para discutir o feminino. É um tema emergencial para o País refletir sobre a mulher ao longo da história e como o feminino organiza sua história no campo da arte”, pondera. Hebe aponta a importância de incluir mulheres de diferentes lugares num debate sobre teatro e mito. “Debatemos uma mulher que não é local e sim um conceito mais integral”.

A partir de estudos sobre as personagens femininas do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), a pesquisadora baiana vai discutir, nos ciclos de debates, sobre esses cruzamentos entre ficção e realidade. “Nelson tinha falas reacionárias, machistas, mas, ao mesmo tempo, surpreendia a partir de personagens que tinham uma postura diferenciada de fuga desse controle da época em que ele vivia”, narra. Entre os outros temas e personagens apresentados estão a beata Maria de Araújo, Bárbara de Alencar e a deusa indiana Kali.

O evento tem espaço para diferentes linguagens artísticas. A exemplo da banda Ghetto Roots, que apresenta o espetáculo Traficando Poesias. “A partir do rap e do reggae, falamos da Dandara dos Palmares como esse sinal de resistência de uma líder, símbolo de empoderamento feminino”, afirma Carolina Rebouças, cantora, compositora e MC. Para ela, é importante que um evento “grandioso” como esse foque na produção feminina. “Vivemos uma situação extremamente desigual, estamos em desvantagem desde que o mundo é mundo”, confronta.

 

Interior e exterior

A Bienal será dividida em duas etapas: na primeira fase contemplará artistas da Espanha e do Brasil (Amazônia, Bahia, Ceará e Pernambuco) e terá como palco as cidades de Fortaleza (14 a 20/11), Juazeiro do Norte (17 e 18/11), e Crato (19 e 20/11). A segunda parte do evento vem com Itália, França, Portugal e Brasil, tendo como palco, além dos três municípios, a cidade de Sobral (8 a 20/03 de 2018). Em novembro, a programação internacional fica a cargo do espetáculo Periplo Varieté, da companhia Periplo Marionetas, de Madri, que apresenta, a partir de marionetes, mitos femininos do universo de Hollywood como Marilyn Monroe.

 

PROGRAMAÇÃO

Bienal de Teatro

Hoje - BNB (Fortaleza)

9 horas - Solenidade de abertura com Projeto Amazonas e Projeto Iracema

9h30min às 17h30min - Seminário Internacional Teatro, Mito e Feminino: Conexões

 

13 horas - Espetáculo Cassandra - Lua Ramos

17 horas - Espetáculo As Troianas - Francinice Campos

19 horas - Aula-espetáculo Kali. Drama-oração. Adelice Souza

Amanhã - Teatro Boca Rica

 

19 horas - Espetáculo: Amazônicas, poéticas do mundo (MA)

 

SERVIÇO

 

I Bienal Internacional de Teatro do Ceará

Quando: de hoje a 20 de novembro

Onde: Fortaleza, Juazeiro e Crato

Programação gratuita

Outras informações: facebook.com/TeatroDaBocaRica

 

RENATO ABê