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Cordel que reescreve histórias

Contemplado com o prêmio Itaú-Unicef, ação educativa no município de Campos Sales trabalha a formação cidadã de crianças e adolescentes a partir de rimas, motes e glosas

01:30 | 20/11/2017
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No município de Campos Sales, 504 quilômetros distante de Fortaleza, a literatura de cordel tem oferecido um novo caminho para crianças e adolescentes. É o projeto Cordeletrando – Rimar, Educar e Transformar, realizado ONG Conselho de Pais de Campos Sales na escola pública José Augusto Sobrinho. As rimas, motes e glosas criadas pelos próprios alunos e as repercussões dessa ação município afora têm conseguido reconhecimento nacional. A ação é uma das vencedoras do Prêmio Itaú-Unicef, que destaca parcerias entre organizações da sociedade civil e instituições de ensino de
todo o País.

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A proposta do projeto é, a partir da leitura e da escrita, trabalhar a valorização da cultura popular e tratar de temas importantes por meio do verso. “Se você pega um livro clássico, não é tão fácil de se trabalhar com crianças que ainda não têm o hábito da leitura. O cordel é muito mais acessível para eles”, avalia Lúcia Andrade, representante do Conselho de Pais de Campos Sales. “A partir do cordel, a gente aborda temas transversais como esse contexto de vulnerabilidade social em que eles estão incluídos e questões como meio ambiente e o Estatuto da Criança e do Adolescente”, detalha.


Gestora da escola onde as ações acontecem, Luzilania Souza celebra os impactos da ação continuada que vem dando protagonismo à literatura. A mesma parceria escola-ONG já tinha ganhado o Itaú-Unicef em 2013 com o projeto Mala da Fantasia, que também trabalha a formação leitora de modo lúdico. “Por conta do cordel, o incentivo à leitura se ampliou na escola. Os alunos se envolvem, pesquisam, trabalham com muito gosto. Eles se identificam, os pais também”, exalta, apontando que a instituição também já ganhou, por duas vezes, o Prêmio Escola Nota Dez, que é oferecido pelo Governo do Estado.


“Em 2016, só uma criança se evadiu da escola, em anos anteriores teve até 37 crianças evadidas”, completa Lúcia, trançando relação direta entre as ações culturais e a permanência das crianças na sala de aula.


Outras iniciativas


Assim como o Cordeletrando, vencedor na categoria médio porte no Nordeste, outros dois projetos cearenses saíram vencedores na entrega do prêmio, realizada pelo Itaú Social em Recife na última semana. Foram os projetos: Juventude Comunica Direito, de Trairi (Grande porte) e Promovendo Vivências de Cidadania, em Itapiúna (Pequeno porte). Já na categoria micro porte o projeto ganhador foi Circulando Cultura na Escola, da cidade de Major Sales (RN). Os quatro vencedores regionais competirão na premiação nacional em
dezembro próximo.


Segundo Camila Feldberg, coordenadora de fomento da Fundação Itaú Social, muitos projetos concorrentes do Nordeste têm a arte como bandeira. “Cada região tem um perfil e aqui no Nordeste, a cultura é muito forte. Com esses projetos, a criança acaba tendo um vínculo maior com a sua história e se apegue as suas raízes”, afirma.


Viviane Carlos, da ação Promovendo Vivências de Cidadania, que também trabalha com as linguagens culturais, faz coro. “Os alunos gostam de música, de dança, aquilo faz eles ficarem mais desinibidos, mais confiantes. Nós tínhamos casos de crianças que não tinha socialização e agora tudo mudou. O trabalho da ONG voltado para o meio artístico faz eles se mostrarem e contribui dentro da sala de aula”, pondera.


Ao todo, cada projeto recebe R$ 60 mil e disputa agora, a premiação nacional, com valores acima de R$ 100 mil. O montante será investido nessas atividades formativas.

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