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Um acervo dedicado ao caju

Criado há 10 anos, o Museu do Caju é um espaço para conhecer - e valorizar - um dos frutos mais populares do Nordeste. Atualmente o equipamento desenvolve o projeto "Meu Caju Cajueiro", com atividades diversas para os visitantes, e luta para entrar na rota turística do Ceará

01:30 | 16/10/2017
Museu conta com cerca de 500 peças, entre quadros, esculturas e curiosidades. Tudo relacionado à cultura do caju AURÉLIO ALVES/ESPECIAL PARA OPOVO
Museu conta com cerca de 500 peças, entre quadros, esculturas e curiosidades. Tudo relacionado à cultura do caju AURÉLIO ALVES/ESPECIAL PARA OPOVO

O Parque Guadalajara, em Caucaia, resguarda um cantinho que convida o visitante a um verdadeiro mergulho no imaginário de um dos frutos mais populares do Estado. Abrangendo uma área total de 5 mil metros quadrados, o Museu do Caju do Ceará (MCC) é, a rigor, um projeto de inclusão sócio-cultural que enaltece o caju “como um instrumento de mudança”. Uma visita rápida ao local torna-se suficiente para sairmos de lá com uma outra visão sobre o assunto.

“Há quem pense que só o que interessa é a castanha. Mas, como você pode ver aqui, são diversos os produtos que têm como base o caju. Na culinária, são mais de 200 pratos com o pedúnculo! Pra mim, sem dúvida, a árvore símbolo do Ceará é o cajueiro, e não a carnaúba”, argumenta Gerson Linhares, educador, turismólogo (conhecido pelo projeto Fortaleza a Pé), pesquisador e idealizador do museu.

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O equipamento, que completou 10 anos no último mês de setembro, comemora a data com o projeto “Meu Caju Cajueiro”, que desdobra-se em exposição, ações culturais e oficinas. As atividades serão realizadas até maio de 2018. Primeira iniciativa realizada desde a sua criação por meio de patrocínio (da Caixa Econômica Federal), o local tem recebido visitas de escolas públicas e particulares, além de muitos grupos da melhor idade para apreciar as cerca de 500 peças, incluindo quadros e também curiosidades como o mascote “Caju” e o automóvel “Fuscaju”.

“Recebemos cerca de 150 grupos vindos de todos os 184 municípios cearenses. O que nós fazemos aqui é ensinar as pessoas a se apropriarem dessa cultura do caju”, resume Gerson. O espaço do museu compreende uma chácara com 25 tipos de árvores frutíferas (pitanga, acerola, sapoti, manga, coco, etc.), flores e três cajueiros-rei, além de outros da espécie anão precoce, existentes na área por parceria firmada com a Embrapa. Na área externa, uma piscina também torna-se um atrativo à parte.

Duas casas comportam o museu propriamente dito. Na primeira, o visitante encontra diversos trabalhos em pintura, xilogravura, escultura, cordel, charge, fotografia, entre outros mimos relacionados à cultura do caju. Duas salas prestam homenagens, respectivamente, a Rita Linhares (proprietária da chácara) e Jaime Aquino (maior produtor de caju do mundo) – ambos já falecidos. Na cozinha, bebidas variadas (vinhos, cajuínas, licores...), castanhas e doces cristalizados aguçam o paladar.

“Uma coisa importante de se frisar é que a exposição não é estática. Sempre recebemos coisas novas que, na medida do possível, incorporamos ao acervo do museu. A maioria das telas, por exemplo, é de artistas de fora. Inclusive do exterior. Fazemos uma homenagem a Nice Firmeza, artista que também foi uma doceira de primeira; Mariano Ribeiro Monteiro, produtor de cajuína; e Juvenal Galeno que, para quem não sabe, era baiano e foi o criador da cajuína no Ceará”, revela.

Apesar do atual patrocínio, Gerson reivindica mais atenção ao espaço.

“Não existe nenhuma placa de sinalização que indique que aqui existe um museu! Se não for pelo GPS, é difícil de se chegar... E olhe que esse é hoje o único museu da Caucaia! Fecharam o Museu Histórico. A poucos metros daqui passa o trem (VLT) também, então por que a Prefeitura e a Secretaria de Turismo não fazem uma parceria com a gente e transformam numa rota também para o turismo?”, questiona.

“O que eu peço é muito pouco. A gente não quer dinheiro, não. A gente quer ação, parceria. Em outubro, pretendemos voltar com as oficinas de gastronomia, mas minha ideia é de que o Museu do Caju torne-se um centro cultural com teatro, música, e que realmente seja usado pelas secretarias de cultura. Temos capacidade para receber umas 200 pessoas por dia, o Governo deveria fazer era uma campanha!”, reivindica Gerson.  

O turismólogo Gérson Linhares está à frente do Museu do Caju e defende que o local entre no roteiro turístico do Estado
O turismólogo Gérson Linhares está à frente do Museu do Caju e defende que o local entre no roteiro turístico do Estado

Serviço

 

 

Exposição Meu Caju Cajueiro

Quando: até 30 de maio de 2018

Onde: Museu do Caju (rua San Diego, 332 – Parque Guadalajara – Caucaia)

Horários de visitação : de terça a domingo, das 8h às 17 horas (necessário agendamento prévio)

Classificação indicativa: livre

Outras info: (85) 3237 2687 / 98835 9915 / museudocaju@yahoo.com.br

Facebook: @MuseuDoCaju

TERESA MONTEIRO