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Especial Antônio Bandeira. Rastros de um pintor do mundo

06/10/2017 01:30:00
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Assim como o seu criador, as obras de Antônio Bandeira se espalharam pelo mundo. Com a morte do artista, em 1967, parte dos seus trabalhos foi trazida de Paris para o Rio de Janeiro, onde foi realizado leilão público de mais de duas mil telas feitas pelo cearense. Segundo pesquisas da família, pinturas e desenhos de Bandeira estão em coleções particulares, da África do Sul à Argentina, entre tantos outros países. No Brasil, o artista, que conquistou espaço privilegiado no mercado da arte já no começo da carreira, teve obras compradas por nomes importantes como o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o empresário Adolpho Bloch, fundador da Rede Manchete.


É no Ceará, porém, que Bandeira está em peso. O Governo do Estado adquiriu mais de mil obras do artista, que atualmente estão na reserva técnica do Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Posteriormente, o acervo deverá compor a Pinacoteca do Estado, que ainda não tem data para ser inaugurada. Além do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, que possui as principais telas do cearenses, a coleção do chanceler Airton Queiroz (1946 - 2017), umas das mais valiosas das América Latina, guarda preciosidades do artista. “O núcleo central do início da coleção Airton Queiroz foi uma pequena coleção de pinturas do Bandeira comprada da própria família do pintor”, aponta o pesquisador Max Perlingeiro, destacando ainda a relevância do acervo do artista deixado pela pintora Heloísa Juaçaba (1926 - 2013).


Na ausência de filhos como herdeiros, os seis irmãos de Antônio Bandeira ficaram com suas obras. “Quando foi feito a partilha dos bens, cada irmão ganhou uma parte do espólio. Muitas obras foram vendidas pela família. Eu me lembro que gente de fora vinha aqui comprar os quadros. Eu lembro muito de um casal holandês que veio para Fortaleza comprar uma obra do Bandeira”, aponta Francisco Bandeira, um dos sobrinhos do pintor que hoje são responsáveis pelos direitos autorais do artista.


Perlingeiro calcula que Bandeira tenha deixado cerca de quatro mil obras espalhadas pelo mundo. E, apesar do artista ter passeado por diferentes estilos e suportes para seus trabalhos, todos têm em comum uma “marca” clara de seu autor. O próprio Bandeira falou sobre isso em entrevista à Revista Clã, em maio de 1960. “Minha obra só pode ser entendida na sua sequência, desde o primeiro quadro realizado. Não sou autor de um quadro, senão de uma série deles, que ainda não terminou. O que fiz até hoje só pode ser apreciado no seu conjunto. É por isso que posso dizer que gosto de pedaços de trabalhos meus, uns aqui, outros mais adiante, noutro quadro. O que me interessa é o todo que vou compondo, quadro a quadro”.


Não à toa, Bandeira terá, num futuro próximo, dois catálogos raisonné (publicação que busca mapear toda a obra de um artista). Um primeiro, patrocinado pela Fundação Edson Queiroz com coordenação da Base7 Projetos Culturais, sairá em dois volumes de 500 páginas, mas foi divulgado como “parcial” em relação à catalogação. Já um segundo raisonné, que está sendo organizado por Max, deve ficar pronto em “quatro ou cinco” anos e se propõe completo. “Eu faço um catálogo que mostra absolutamente tudo que ele produziu: desenhos, gravuras, têmperas, pinturas a óleo. Bandeira fez até vitral”, revela o pesquisador.


Adriano Nogueira

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