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Escolas de artes apostam na versatilidade e em grandes espetáculos

O mercado, que é competitivo, vem deixando de ter a cara de hobby

01:30 | 17/10/2017
Giovanna Gomes entrou para a Duetos após assistir ao musical Retalhos FOTO MATEUS DANTAS
Giovanna Gomes entrou para a Duetos após assistir ao musical Retalhos FOTO MATEUS DANTAS

Atividades ligadas às artes têm ganhado cada vez mais espaço em Fortaleza. Mais escolas especializadas vêm surgindo nos últimos anos e apostando em um mercado que exige muito de quem quer ingressar nele. A The Biz Escola de Artes é uma delas. Inaugurado em maio desse ano, o espaço busca um refinamento plástico e criativo dos seus performers.

Segundo Wanessa Lugoe, coordenadora, cerca de 40% dos alunos já se matriculam com interesse no teatro musical, um nicho bem específico. “A nossa escola tem foco no teatro musical. Temos aulas de canto em grupo e outras modalidades, mas também há aulas de teatro convencional, por exemplo”, diz.

Segundo Marcelino Câmara, diretor da Escola de Atores Marcelino Câmara, que existe desde 2015, hoje há muito mais oportunidades para quem quer aprender e seguir na carreira artística. Ele ainda concorda que os pais vêm “abrindo a mente” e apostando em atividades extracurriculares, além das aulas de idiomas e computação. “Sou professor de teatro há 30 anos, e há uns 20 anos a gente não tinha muitas escolas na Cidade. As aulas (de teatro) eram nos colégios, não tinha um curso específico. Apareciam alguns vindos de fora em temporada. Ao mesmo tempo, os pais foram abrindo a cabeça para esses cursos”.

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Outra possibilidade para aprender técnicas de canto é o Centro Cultural Canto da Apá, da cantora e compositora Aparecida Silvino. Funcionando há um ano, o espaço não é considerado uma “escola” por Aparecida. “Vamos além de um conteúdo fechado, geral. O Centro funciona para compartilhar experiências com cada pessoa e voz, e suas diversas possibilidades. Não chamamos nem de ‘alunos’, chamamos de ‘cantores’”, explica.

Paula Aragão, 24, aluna da Duetos Escola de Música, conta que estuda canto desde 5. Por um tempo, resolveu parar e, há dois anos, voltou com força total. O foco é realmente trabalhar a voz e ser cantora profissional. Para ela, ter escolas especializadas dá a oportunidade de um crescimento individual, que não seria possível apenas nas aulas da escola, por exemplo. “Eu participava do coral da escola e tinha aulas por fora. Quando vim para cá, comecei a perceber que aprendi algumas coisas errado. Acho interessante que é algo mais individual, totalmente focado no meu desenvolvimento”.

Há ainda a procura por estilos diferentes do que são oferecidos nas escolas de dança, por exemplo. O stiletto, que é a dança no salto alto, o jazz funk e o zouk são estilos modernos e relativamente novos na Capital. Para Diego Lehder, diretor da escola de dança O Casulo, que oferece essas modalidades, elas foram pensadas para que os alunos tivessem opções. “Se ele quer algo mais clássico, eu consigo atender, se quer mais moderno, também”. diz.

Marcela Souza e Paula Aragão também são alunas da Duetos Escola de Música FOTO MATEUS DANTAS
Marcela Souza e Paula Aragão também são alunas da Duetos Escola de Música FOTO MATEUS DANTAS

Grandes produções

E já passou o tempo de pequenos festivais no final do ano voltados para os pais dos alunos. Hoje, grandes produções fazem parte da rotina das escolas. O musical Retalhos, que mescla partes de musicais da Broadway, é um dos orgulhos da Duetos. O espetáculo, já na sua segunda edição, conta com uma grande estrutura de som e iluminação.

 

George Alexandre, diretor da escola, diz que o retorno, além de financeiro, traz visibilidade tanto para a escola e para os próprios alunos, que têm a oportunidade de apresentarem seus talentos para uma plateia que vai além da família. “A música é ao vivo, a parte de cenário é cuidada com muito carinho, as perucas que a gente vai atrás não são simples, as roupas a gente tenta recriar o máximo possível”, diz.

Giovanna Gomes, 15, entrou na Duetos por causa do espetáculo. Ela conta que viu a primeira versão e se encantou. Na segunda, ela interpretou Elphaba, do musical Wicked. “O Retalhos foi a maior experiência que eu tive, foram oito meses de preparação. Parecia que a gente estava realmente em um espetáculo daqueles da Broadway. É muito diferente estar em um palco na frente de tanta gente”.

No Canto da Apá, o diferencial é o projeto Conexões Sonoras, parceria com o Theatro José de Alencar. “Ao invés da pessoa apresentar uma música no final do semestre, a gente faz um show uma vez por mês, dando possibilidade do cantor encontrar o público, a imprensa. A procura do público é tão grande que, a partir de fevereiro, vamos ocupar o palco principal do Theatro”, adianta Aparecida.

Para Wanessa Lugoe, da The Biz, investir em um espetáculo dá ao aluno a oportunidade de vivenciar mais do que a encenação. Um que estuda moda desenha os figurinos. Outra, que é arquiteta, projeta os cenários. “Eles têm aula de criativo, aprendem o conceito de figurino, cenário. Vejo como uma oportunidade deles se manterem focados, de verem que aquilo que eles estudam, se não levarem a sério, aparecem as dificuldades”, conclui.

SERVIÇO

 

Duetos Escola de Música

Onde: av. Antônio Sales 2371, Lj. 101 Contato: 4141 4909

O Casulo Escola de Dança

Onde: av. da Universidade, 3319

Contato: 98780 0000

 

Escola de Atores Marcelino Câmara

Onde: rua Soriano Albuquerque, 1107

Contato: 3023 5856

The Biz Escola de Artes

Onde: av. Washington Soares, 909

Contato: 99912 9505

Canto da Apá

Onde: rua Monsenhor Bruno, 417

Contato: 999603 8029

LARISSA PACHECO