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Em Mano Que Zuera, João Bosco faz parcerias com os filhos

Em Mano Que Zuera, João Bosco inaugura parcerias com Arnaldo Antunes e Roque Ferreira

01:30 | 14/10/2017

 

No dia 15 de novembro, João Bosco, 71 anos, será homenageado na cerimônia do 18° Grammy Latino, em Las Vegas FLORA PIMENTEL/DIVULGAÇÃO
No dia 15 de novembro, João Bosco, 71 anos, será homenageado na cerimônia do 18° Grammy Latino, em Las Vegas FLORA PIMENTEL/DIVULGAÇÃO

Mano Que Zuera, novo disco de João Bosco, lançado após oito anos sem trabalho de inéditas, é reflexo de uma ação em família. A alma do disco, claro, é “joãobosquiana” em toda sua essência, mas a presença de seus filhos está ali, em evidência ou nos detalhes. Seu filho, o escritor, compositor e filósofo Francisco Bosco, é parceiro desde o disco As Mil e Uma Aldeias (1997). Originalmente, João Bosco faria aquele álbum com Waly Salomão e Antônio Cícero, mas, como a entrada dos dois no projeto não foi adiante, Francisco chamou para si a parceria com o pai.

 

Vinte anos depois, essa parceria entre pai e filho se mostra ainda mais consolidada: além da concepção do novo disco assinada em dupla, das 11 faixas, cinco são de autoria de João e Francisco Bosco. Como a emblemática Onde Estiver. João apresentou ao filho uma música que ele achava que contava uma história, ao estilo de Bob Dylan - e que fugia de seu universo habitual. Pediu para Francisco colocar letra. E, para surpresa de João, ele devolveu aquela música com a história da relação pais e filho: “Onde estiver, sempre trago vocês/Dentro do meu coração”.

“Acho que tanto ele quanto a Julia (Bosco, a filha) devem ter passado um tempo sentindo falta da nossa presença. Aí convocávamos os tios para preencher essa ausência. Quando ele fez essa canção, fiquei feliz porque acabamos preenchendo um pouco aquela ausência de antes. Eu senti isso do mesmo jeito quando a Julia cantou a canção comigo no disco”, completa João, referindo-se à faixa Ultra Leve, que tem participação especial da filha nos vocais.

E, por causa dessas ausências, em algum momento, incomodou estar na estrada? “Não me incomodou em nenhum segundo e eu faria isso tudo novamente. Gosto da malandragem, e eu ouvia muito dos malandros: o que importa é o que vai dar na continuação; na continuação, tem de dar você”, responde o compositor, cantor e violonista mineiro.

Já a canção Duro na Queda lembra que a parceria de João e Aldir Blanc continua a pleno vapor. É inédita, mas, à primeira audição, há quem possa jurar que seja um clássico de Bosco e Blanc. “Fui musicando esse texto e ele foi se transformando num samba, mas ele flui muito naturalmente. Tem essa coisa desse samba clássico do subúrbio carioca, isso é uma coisa que a gente fez muito, aprendeu, tem uma certa experiência nisso”, afirma João.

Da parceria com Aldir, João resgatou ainda uma antiga composição, João do Pulo, que deságua na versão instrumental de Clube da Esquina n.º 2 (Milton Nascimento/ Lô/ Márcio Borges). “Quando eu estava trabalhando esse disco, essa música me veio de novo, mas não me veio sozinha: já me veio com fragmentos de Clube da Esquina n.º 2”, diz João. Há outras regravações especiais: Sinhá, de João e Chico Buarque, desta vez, num clima cabo-verdiano e muitas cordas, e Coisa n.º 2, de Moacir Santos.

No coração de pai de João cabem também os novos parceiros de música. E o disco Mano Que Zuera marca duas estreias: com Arnaldo Antunes, em Ultra Leve, e com Roque Ferreira, em Pé-de-Vento. Bethânia aproximou Roque e João. Já no caso de Arnaldo, “esse já era um encontro marcado” faz tempo. “Já nos encontramos outras vezes, anteriormente, e sempre falamos sobre uma possível parceria”. Uma parceria se esboçou nos bastidores de um programa de TV, mas não se desenvolveu depois. Mais recentemente, João estava fazendo um bolero meio bossa-novista, e se lembrou de Arnaldo. Às vésperas de entrar em estúdio, João recebeu de Arnaldo a letra da música, em sintonia com aquele cenário musical criado por João. “É uma canção em que ele mapeia o Rio de uma forma muito bonita, porque ele não deixa escapar nenhum lugar da cidade, da zona sul à oeste, ao subúrbio.” João, então, chamou a filha Julia para participar da faixa. “Por ser uma canção do Rio, achei legal ter uma voz masculina e uma feminina”.

SERVIÇO

 

Mano que Zuera - João Bosco

11 faixas

Som Livre

Quanto: R$ 29,90