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Arnaldo Antunes chega a Fortaleza com exposição e show intimista

Arnaldo Antunes traz pela primeira vez ao Ceará sua poesia visual com a exposição Palavra em Movimento. A mostra vem junto com show intimista e performance poética

01:30 | 19/10/2017
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Está no DNA de Arnaldo Antunes a vontade de testar limites e fazer tudo ao mesmo tempo quando o assunto é arte. Nos tempos de Titãs, ele era o responsável tanto por canções pop como Não Vou me Adaptar e Televisão como por experimentações concretistas do tipo O Que e Todo Mundo quer Amor. Quem lembra das performances do octeto paulistano, também deve saber que Arnaldo cuidava dos próprios figurinos, cortes de cabelo e das coreografias robóticas.


Depois de 24 anos de uma muito bem sucedida carreira solo, o compositor, cantor, escritor, poeta e artista plástico segue sem querer colocar barreiras para cada uma dessas funções que exerce. E Fortaleza vai poder conhecer melhor esse caleidoscópio produtivo a partir de hoje, na Caixa Cultural. A mostra Palavra em Movimento traz, pela primeira vez ao Ceará, as obras visuais do paulistano de 57 anos. São colagens, vídeos, instalações, objetos poéticos, cartazes e outras peças que cobrem 30 anos dessa produção. Na sexta-feira, 20, ele ainda realiza uma performance rítmico poética ao lado da artista plástica Márcia Xavier, dentro da programação do Mundo Unifor.


Além da mostra, Arnaldo também traz o show A Casa é Sua. Em formato intimista, ele divide o palco com Chico Salem (violão e guitarra) e André Lima (teclados e sanfona) para apresentar canções que vêm desde os Titãs e chega a projetos coletivos como Pequeno Cidadão e os Tribalistas. “É gostoso, me sinto muito à vontade. Acho que meu repertório tem essa abrangência. Mesmo nos Titãs tinha uma influência de música popular”, diz o artista que, já desde menino, misturava Janis Joplin e Jimi Hendrix com Milton Nascimento e Vinicius de Moraes entre seus preferidos. “Aí fui acompanhando coisas que iam surgindo, como Jards Macalé, Tim Maia... Quando mais velho, comecei a me interessar pela MPB mais antiga de Lamartine Babo, Nelson Cavaquinho. Tinha os ouvidos muito livres”, completa.


E esse menino foi crescendo e experimentando a arte de diversas formas. Aos 15 anos, já se metia a fazer filme, escrever e compor. Quando os Titãs nascem, em 1982, ele já tinha um trabalho volumoso em diversas linguagens. “Essa é uma retrospectiva de pelo menos 30 anos de trabalho, de 1981 até o ano passado”, explica sobre as obras que chegam a Fortaleza com curadoria de Daniel Rangel, ex-diretor de Museus da Secretaria de Cultura da Bahia. “Escolhemos um conjunto bem representativo. Uma mostra geral da poesia fora do papel. Acho que a música popular tem uma penetração bem maior. Mas, sem dúvida, parte desse público pode se interessar pela minha poesia visual”, projeta.


Mas, se a música pode trazer mais público para a exposição, as obras de arte podem levantar outras discussões que a música não têm alcançado nos últimos anos. É o caso da exposição Queermuseum e da performance do ator Wagner Schwartz. “Acho que se tem que lançar luzes esclarecedoras. É uma onda de conservadorismo ideológico muito mentiroso. É um sinal de alerta de algo muito perigoso. A pessoa tem que ter liberdade de manifestação não só artística, mas religiosa, política... Fico até assustado”, admite o artista atribuindo os casos a “forças políticas”.


Na última terça-feira, 17, Fortaleza também protagonizou episódio de censura, quando a obra Todas as Coisas Dignas de Serem Lembradas, de Simone Barreto, foi proibida de ser exibida na íntegra e acabou sendo retirada da XIX Unifor Plástica. O Vida&Arte tentou contato com Arnaldo Antunes para ouvir sua opinião sobre o fato, mas ele não atendeu as ligações até o fechamento desta edição.

 

SERVIÇO

 

Mostra Palavra em Movimento

Quando: visitação de terça a sábado, das 10h às 20 horas; e domingos, das 12h às 19 horas

Onde: Caixa Cultural (Av. Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)

Classificação: Livre. Entrada franca.

Show A Casa é Sua

Quando: de 19 a 21, às 20 h; e domingo, 22, às 19h

Onde: Caixa Cultural

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Performance poética

Quando: sexta, 20, às 16h30min

Onde: Teatro Celina Queiroz (Unifor)

Entrada franca, mediante inscrição prévia

 

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