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O morro tem vez

Montada pela primeira vez em 1963, O Morro do Ouro volta em temporada no Theatro José de Alencar mais uma vez pelas mãos de Haroldo Serra

01:30 | 13/09/2017
No palco, os personagens Madalena e Zé Valentão vivem história de amor na comunidade Morro do Ouro TATIANA FORTES
No palco, os personagens Madalena e Zé Valentão vivem história de amor na comunidade Morro do Ouro TATIANA FORTES

Muito antes de a favela chegar às telas de cinema em filmes como Cidade de Deus (2002) ou de a realidade periférica ser protagonista de novelas — a exemplo de I Love Paraisópolis (2015) —, o dramaturgo cearense Eduardo Campos (1923 - 2007) já deslocava o núcleo da sua história para o local onde personagens considerados marginais vivem. Jogando foco na relação entre uma prostituta e um contrabandista, a peça O Morro do Ouro, montada pela Comédia Cearense, causou burburinho na Fortaleza de 1963. Amanhã, uma nova versão da obra estreia no palco onde o espetáculo chegou ao público pela primeira vez: o Theatro José de Alencar.

Em curta temporada até o próximo domingo, 17, sempre às 20 horas, o espetáculo marca as celebrações dos 60 anos do grupo teatral Comédia Cearense. Novamente com direção de Haroldo Serra, a remontagem reúne em seu elenco figuras importantes para a história do teatro cearense como Ricardo Guilherme, Walden Luiz e Hiramisa Serra.

No repertório, canções criadas por Belchior e Jorge Mello para uma versão musical do texto que a Comédia levou à cena na década de 1970. “Quando eu pensei em remontar a peça, o Belchior estava desaparecido e era uma homenagem a ele dentro daquele projeto que tinha muito na internet de pedir ‘Volta, belchior’. Aconteceu de ele falecer, mas aí não paramos a montagem e estamos dando ainda mais destaque às músicas dele”, conta Haroldo, lembrando que o artista cearense morto em abril último, além de compor, chegou a interpretar o personagem Cantor em temporada no Rio de Janeiro em 1972.

A atriz Martha Vasconcelos, que também participou daquela temporada carioca, volta à cena com a mesma personagem que fez há 45 anos: Elvira, a mãe de Madalena, a protagonista. “Esse texto é atualíssimo e é muito bom para o momento difícil que estamos vivendo no País”, aponta Martha, em relação à corrupção política mostrada na dramaturgia. “Eu não esperava mais, depois de mais de 40 anos, fazer O Morro do Ouro. Eu estava com medo de fazer, mas agora estou muito feliz. É um elenco completamente diferente e tenho o Haroldo como um dos principais diretores do Brasil”, conta.

Quem vive a protagonista na remontagem é a jovem atriz Carolina Geraldo. “Ela não é uma mocinha clássica. É a filha de uma beata que veio para a Capital tentar a vida vendendo o próprio corpo. A Madalena está sendo um desafio e está me ajudando a me colocar na pele do outro, a parar de julgar o outro”, pondera.

“O Morro do Ouro é uma das peças mais importantes da história da Comédia Cearense, já ganhou vários prêmios, circulou todo o País”, aponta Hiroldo Serra, que, ainda criança, participou do trabalho na década de 1970 numa cena de cortejo de bumba meu boi. “A peça tem classificação indicativa de 14 anos e eu com sete entrava em cena escondido debaixo do boi, eu queria muito participar”, puxa da memória, orgulhoso por agora dar vida ao bodegueiro Patrício.

No último dia da temporada será lançado o livro Comédia Cearense 60 anos, que apresenta registro iconográfico da história da companhia. A obra será vendida por R$ 50.

SERVIÇO

 

O Morro do Ouro

Quando: de amanhã, 14, até domingo, 17

Onde: Theatro José de Alencar (rua Liberato Barroso, 525 )

Quanto: R$ 30 (inteira)

Telefone: 996353475

 

RENATO ABê