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Longa As Duas Irenes estreia hoje em Fortaleza

Longa goiano As duas Irenes segue drama familiar para mostrar a trajetória de amadurecimento e descoberta de identidade na adolescência. Filme estreia hoje no Cinema do Dragão

01:30 | 14/09/2017
Isabela Torres e Priscila Bittencourt, respectivamente, interpretam as duas Irenes. Longa acompanha a relação das garotas
Isabela Torres e Priscila Bittencourt, respectivamente, interpretam as duas Irenes. Longa acompanha a relação das garotas

Irene (Priscila Bittencourt) e Irene (Isabela Torres) têm muitas diferenças. A primeira é filha de Mirinha (Suzana Rabelo), tem uma irmã mais velha e outra mais nova, leva uma vida financeira confortável, não pode usar roupas “indecentes”, ainda não beijou, é fechada. A segunda é filha única da costureira Neuza (Inês Peixoto), vive com mais humildade e também mais liberdade, é mais aberta e espontânea, já paquera. Em comum, além do nome, as meninas dividem poucas (e relevantes) coisas: a idade, 13 anos, e o pai, Tonico (Marco Ricca). É a partir da descoberta que a Irene de Mirinha faz da segunda família que o filme, dirigido por Fabio Meira, reflete sobre laços familiares, amadurecimento e identidade. As Duas Irenes estreia hoje no Cinema do Dragão, pela Sessão Vitrine Petrobás, em que os ingressos são mais baratos. No domingo, 17, o Dragão recebe exibição do filme seguida de debate com Fabio e Isabela.

Em entrevista ao O POVO por telefone, o diretor explicou que a trama é baseada em um caso real de sua família: o avô dele tinha vários filhos fora do casamento. “Entre eles, duas filhas com o mesmo nome. A partir daí, foi tudo ficção. Meu avô não manteve duas famílias, a minha tia nunca quis conhecer a outra filha. O filme é o que poderia ter acontecido se ela tivesse dado esse passo”, contextualiza. Na trama, o público acompanha de perto a Irene retraída, que descobre o segredo do pai e decide conhecer a outra família; assim, ela estabelece uma relação próxima da outra Irene. A ideia de um duplo que é também oposto norteia a trama.

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Mesmo seguindo os passos da protagonista, não é possível compreender claramente suas intenções. “O longa tem esse mistério. A atuação da Priscila é misteriosa. O trabalho tem um suspense na medida que você não sabe como Irene vai agir, ela pode ‘dar o bote’ a qualquer momento”, afirma Fabio.

Pelo toque de suspense e, ainda, por não definir tempo e espaço, As duas Irenes parece suspenso da realidade, a um passo do realismo fantástico. No entanto, ele se mantém como um interessante drama, ainda que seja descrito pelo diretor como “quase uma fábula”. “Como nas fábulas, não há demarcações temporais ou espaciais, porque há um caráter universal. A vantagem disso é conseguir se comunicar mais. Ele poderia ser no interior do Ceará, de Alagoas. Isso era importante para mim”, defende. “A gente não sabe se o filme é de uma época antiga ou se é uma cidade tão pequena que está parada no tempo. De uma maneira ou outra, a cultura patriarcal e esse homem com duas famílias são algo ultrapassado”, metaforiza Fabio.

“Era importante também que o filme se passasse no momento que a gente deixa de ser criança e entra na vida adulta, na sociedade, nas regras, na hipocrisia”, ressalta o cineasta. “O despertar feminino é mais cedo, mais rico, e por isso me interessava observar essa história desse ponto de vista”. Nesse sentido, Fabio destaca as atuações de Isabela e Priscila, escolhidas após um longo processo com mais de 250 candidatas aos papeis. “Elas são o oposto das personagens na vida real, e isso é mais uma prova do talento delas. Elas foram corajosas em, aos 13 anos, contracenar com Marco Ricca, Teuda Bara. A grande força não está só na história, mas no elenco”, avalia.

Apesar de ter passado pelo circuito de festivais — estreou em Berlim, passou pelo México e foi premiado em Gramado —, As duas Irenes, confia Fabio, tem elementos para fazer uma boa carreira comercial. “Estou muito curioso para saber como vai ser. Não quis fazer um filme que ficasse restrito ao circuito dos festivais, é para a avó de qualquer pessoa poder assistir e se emocionar. Ao mesmo tempo, sei que é difícil que o público saia de casa para ver cinema nacional, mas a gente conta com o boca a boca. Espero que ele chegue no coração das pessoas”, torce

MULTIMÍDIA

Veja o trailer do filme:

goo.gl/nFhZTD

 

SERVIÇO

sessão de As duas Irenas e debate

Quando: dia 17, às 19 horas

Onde: Cinema do Dragão (Rua Dragão do Mar, 81)

Entrada: R (inteira). Os ingressos poderão ser retirados três horas antes da sessão, com limite de um par por pessoa

 

JOãO GABRIEL TRéZ