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68º Salão de abril começa hoje, sem apoio da prefeitura de Fortaleza

A edição deste ano de um dos mais importantes eventos de artes visuais do País começa hoje sem o apoio da Prefeitura de Fortaleza. Organizado por artistas, evento ocupará 15 espaços na Capital

01:30 | 28/09/2017

Começa hoje a 68ª edição do Salão de Abril, principal mostra de artes do Ceará. O evento, entretanto, não será realizado pela Prefeitura de Fortaleza. Diante da indefinição da gestão municipal sobre a realização ou não do evento este ano, os artistas “sequestraram” o Salão e, por conta própria, vão realizar as exposições em quinze espaços da Capital, entre eles, a Vila Vicentina, o Poço da Draga e o entorno do Parque do Cocó. Hoje, dois lançamentos simultâneos marcam o início das atividades: um na Galeria Multiarte, às 18h30min, e outro na Imagem Brasil Galeria, às 19h30min. Ao todo, 161 propostas compõem a programação, que se estende até dia 20 de outubro.

“É importante se posicionar contra esse descaso da Secretaria da Cultura (Secultfor) e mostrar que a Cidade tem muitos artistas visuais, que estamos reagindo. A Cidade não pode ficar com menos essa ação artística”, afirma Jacqueline Medeiros, pesquisadora de arte e diretora da galeria Sem Título Arte, que também compõe a programação e terá abertura no próximo dia 3. “Estamos trabalhando sem verba alguma, todo mundo está doando sua força de trabalho e o evento vai acontecer somente em espaços não-governamentais” detalha. Jacqueline é também curadora desta edição, ao lado de nomes como Beatriz Furtado, Bitu Cassundé, Cecília Bedê, Cecília Soares, Herbert Rolim, Maíra Ortins, Pablo Assumpção e Narcélio Grud.

Professora da Universidade Federal do Ceará, Beatriz destaca a importância histórica do evento, que teve início em 1943 e já reuniu grandes nomes das artes como Antônio Bandeira, Heloísa Juaçaba, Nice Firmeza, Sérvulo Esmeraldo, entre muitos outros. “O Salão tem uma importância histórica para as artes visuais e não pode ser simplesmente abandonado, como a Prefeitura fez”, afirma.

Para a curadora, a articulação para a realização da edição sequestrada representa um novo momento para os artistas da Capital. “É um marco para as artes visuais, que é uma linguagem artística em que os trabalhos são muito individualizados e não tem a articulação de áreas como o cinema. A gente conseguiu se articular e fazer todo o processo mesmo com todas as limitações”, aponta.

Foram mais de 200 trabalhos inscritos, entre eles, nomes de projeção nacional como Efrain Almeida, André Parente e Hélio Rôla. Beatriz reforça que a edição sequestrada aparece como um bom momento para firmar bases do evento. “O Salão precisa de uma política de permanência, temos que assegurar por lei e pensar a criação de uma fundação que responda por ele, como acontecesse coma Bienal de São Paulo”, pondera.

SECULTFOR

Depois de meses de silêncio sobre a realização ou não da mostra em 2017, no dia 26 de julho a Secultfor confirmou ao O POVO que teria uma edição oficial do 68º Salão de Abril, com programação realizada ainda este ano. Procurada pela reportagem esta semana, a assessoria de comunicação do órgão afirmou, porém, que ainda não há informações sobre o evento e também não soube precisar se havia tempo hábil para a realização da exposição até dezembro.

 

SERVIÇO

 

68º Salão de Abril

Quando: de hoje até 30 de outubro

Onde: quinze espaços da Cidade

Programação gratuita

Info: facebook.com/68SalaodeAbrilSequestrado

 

RENATO ABê