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Jornal

Linn da Quebrada faz show hoje, 5, no Órbita Bar

Aos 26 anos, Linn é cantora, compositora, performer e atriz. A artista apresenta seu álbum de estreia em show, hoje, no Órbita Bar

05/08/2017 01:30:00
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Linn da Quebrada entende seu propósito na arte. Da “bixa preta” à “trava feminina”, a paulistana de 26 anos narra histórias de quem se descobriu em transformação constante para perceber a necessidade de ocupar espaços. Filha de uma empregada doméstica alagoana e de rígida criação religiosa, a artista trans encontrou, no funk, a possibilidade de quebrar paradigmas de corpo e gênero. Ela trabalha no álbum de estreia Pajubá, batizado em referência ao vocabulário LGBT, com previsão de lançamento para setembro. O disco custou R$ 49 mil levantados por meio de financiamento coletivo.


Cantora, compositora, performer e atriz, lançou, neste ano, os singles Bixa Preta e o recente blasFêmea, sua primeira experimentação audiovisual. O vídeo da música teve direção e roteiro assinados pela própria artista, com co-direção de Marcelo Caetano. A parceria com o cineasta já vem do longa-metragem Corpo Elétrico, no qual atuou. O filme estreia amanhã, 6, no Cine Ceará. Hoje, ela se apresenta no Órbita Bar e promete muita “bixarya, bunda no chão e corpos suados”.


O POVO - Você está em estúdio desde o último dia 10 gravando o Pajubá. Como está sendo esse processo?

Linn da Quebrada - Está sendo fantástico, a realização de um sonho! E ter conseguido tudo isso graças aos meus fãs, que apoiaram meu financiamento coletivo, deixa tudo mais especial. É um disco feito em conjunto e é lindo e muito importante saber que não estou sozinha nessa.

OP - Algumas músicas falam de ser mulher, travesti nesse contexto de violência urbana e transfobia. Esse conceito continua no Pajubá?

Linn - O disco se encaminha pra isso, da gente falar entre a gente, por nós e para as nossas. Pajubá é dialeto, é transformação e possibilidades. Não canto histórias pra boy dormir. Mas grito para tirá-los do lugar. O corpo sempre foi algo que me instigou. E eu sentia que esse era o lugar mais apropriado para se falar. A partir do meu corpo. Dos meus afetos, das minhas relações, dos meus desejos.

OP - Você dirigiu e escreveu o clipe de blasFêmea | Mulher. Já era uma vontade se envolver diretamente no seu produto audiovisual ou foi uma necessidade que você identificou no decorrer do processo?

Linn - Na verdade foi algo que foi surgindo. Eu venho do teatro, também atuo como performer e tudo isso veio antes da música. blasFêmea também apareceu naturalmente. Assim como encontrei no funk mais um lugar de resistência e criação, o audiovisual se mostrou um espaço importante pra eu reinventar narrativas. blasFêmea é sobre a união e a conexão de mulheres, independente dos corpos em que se encontrem, é sobre essa rede de proteção e acolhida que deveria existir cada vez mais entre nós.

OP - Você chegou a afirmar que se considera uma “terrorista de gênero”. O que isso significa e o que esse posicionamento representa para você?

Linn - Meu corpo carrega muitas potências e eu busco possibilitar todas elas por meio da minha arte. ‘Terrorismo de gênero’ vem disso, dessas transformações constantes que me permito e consequentemente transformações as quais o público também se permite. Hoje em dia eu já acho que até este termo em si já se transformou, estou mais para ‘pastora Linn da Quebrada’ atualmente, porque sinto cada vez mais que meus shows são cultos para quem se enxerga e se encontra ali. Estamos todas cantando numa mesma energia, numa mesma sintonia, isso é único e especial. É um espaço nosso, onde nossos corpos são o que queremos e sem nenhum tipo de pudor

ou proibição.


SERVIÇO

 

Show de Linn da Quebrada

Quando: hoje, 5, às 21 horas

Onde: Órbita Bar (Rua Dragão do Mar, 207- Praia de Iracema)

Quanto: R$ 40 (inteira)

facebook.com/OrbitaBar

 

Rubens Rodrigues

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