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Jornal

Com magia circense, peça Estribilho discute opressões

Dirigido por Juliana Veras, o espetáculo do Curso Princípios Básicos de Teatro faz temporada no Theatro José de Alencar até domingo. Vida&Arte acompanhou ensaio da montagem

18/08/2017 01:30:00
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Estribilho, a palavra, tem a seguinte definição: verso repetitivo no fim de um poema. Estribilho, o espetáculo, parte do conceito de repetição para falar de um tema espinhoso: a opressão cotidiana que nos acompanha em diferentes esferas. A montagem do Curso Princípios Básicos de Teatro estreia hoje no Theatro José de Alencar e faz curtíssima temporada até domingo. O Vida&Arte acompanhou ensaio geral da obra na última segunda-feira, 14, e repercutiu com os artistas sobre o processo da montagem.


O elenco, composto por 24 alunos-atores, apresenta, desde os bastidores, a inquietação de uma turma cheia de energia para criar. Uns ajudando a montar o figurino dos outros, corre-corre para posicionar os instrumentos, alguém reclama das farpas do chão do palco do Theatro, uma polifonia. Pronto. Hora da cena e a alegria de uma turma barulhenta abre espaço para a concentração. A decisão coletiva de discutir opressão no ambiente lúdico do circo dá à obra um tom agridoce que parece ter contagiado todo o grupo.


Juliana explica que a dramaturgia parte da premissa de que não é tão fácil assim separar cirurgicamente o que é ser vítima e o que é ser agressor. “É aquela coisa do ‘eu piso no seu pé porque você pisou no meu’. Questionamos: ‘por que me torno um agente agressor ? Tudo depende da forma como reajo ao mundo que me oprime”, avança a diretora, confirmando que o objetivo é falar da opressão de modo mais amplo, sem fechar tanto numa só temática.

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E é justamente essa repetição vítima/agressor que o público encontra em cena, mas sem didatismos ou simplificações. Apesar de muito jovem, o elenco segura com vigor um modo de contar essa história sem ir pelo caminho mais fácil. Quase sem falas, mas com poesia e construções imagéticas, Estribilho é um espetáculo para ser assistido com olhos de quem investiga.


“Como a gente aborda várias questões sociais no espetáculo, encontramos o circo como esse espaço para mostrar facetas de pessoas diferentes”, aponta o ator Eduardo Feijó, que compõe o elenco. Para ele, a montagem consegue jogar luz nos diferentes lados das relações humanas. “(A peça) brinca tanto com a beleza quanto com o estranho”, completa.


“É a metáfora da sociedade do espetáculo, todo mundo sempre sorrindo e fingindo que não está sendo oprimido”, detalha Elvis Jordan, que participou da construção textual e de figurino (que, inclusive, traz acertadamente o jogo de opostos entre o azul e o encarnado). Para Elvis, os alunos-atores têm suas potencialidades individuais incorporadas no todo e a peça tem “a cara” do coletivo. “A Juliana consegue abarcar as habilidades do elenco, indo para outras linguagens. Tem bailarino, gente que canta, gente do circo”, diz.


Depois da temporada no Theatro, o grupo já tem apresentação marcada no próximo dia 5 no Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga.


Experiência pedagógica

Com 26 anos de história, o Princípios Básicos segue fiel a proposta de ir além da entrega de um produto artístico. “Há um amadurecimento desde que a gente começou. E o maior desafio é começar a se conhecer e ainda adquirir a unidade que é necessária para o processo em grupo”, reflete Jeová Matos, assistente de direção.

 

“A gente (professores do Curso) solicita que os alunos pensem o que na sociedade pode ser tocado através da arte. Trabalhamos com a perspectiva do ator-criador, que é também um transformador, um agente na Cidade”, projeta, orgulhosa. Com destreza e despretensão, Estribilho já chega aos palcos com potência de transformação viva.

 

SERVIÇO

 

Estribilho

Quando: de hoje a domingo, com duas sessões:às 16 horas e às 19 horas

Onde: Palco Principal do Theatro José de Alencar (rua Liberato Barroso, 525 - Centro)
Quanto: R$ 10 (inteira)

Telefone: 31012583

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