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Jornal

Morre o escritor Caio Porfírio Carneiro

O cearense teve sua obra traduzida para diversas línguas e colecionava prêmios literários. Ele tinha 89 anos

19/07/2017 01:30:00
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Foi sepultado na manhã de ontem, 18, no cemitério de Congonhas, em São Paulo, o escritor, contista, e historiador fortalezense Caio Porfírio Carneiro, 89 anos. Ele morreu na última segunda-feira, 17. A notícia foi divulgada por João Scortecci, editor de seis livros do cearense e membro da União Brasileira de Escritores (UBE), em uma publicação no Facebook. A causa da morte não foi divulgada pelo amigo.


Biografia

Caio Porfírio de Castro Carneiro nasceu em 1º de julho de 1928, em Fortaleza. Dedicou-se ao jornalismo. Bacharelou-se em Geografia e História pela Faculdade de Filosofia de Fortaleza. Em 1955 mudou-se para São Paulo, onde trabalhou, a princípio, na imobiliária de um irmão e foi redator de programas da Rádio Piratininga. Durante anos foi encarregado do setor do interior da Editora Clube do Livro Ltda. Desde 1963 era secretário administrativo da União Brasileira de Escritores (UBE).

Era sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo - no qual exerceu mandato de diretoria, do Pen Clube de São Paulo, da Academia Paulistana da História, da Academia de Letras do Brasil (Brasília), da Unión Cultural Americana (Buenos Aires), e também correspondente da Academia Cearense de Letras (ACL).


Colaborou nos principais suplementos do País, com ficção e crítica literária. Assinou a apresentação de dezenas de obras, dos mais diversos estilos. Publicou 22 livros nos gêneros conto, novela, romance, poesia, memória e literatura infanto-juvenil. Alguns deles alcançaram várias edições.


O romance O Sal da Terra foi traduzido para o italiano, árabe, francês e adaptado em roteiro técnico para o cinema. O livro de contos Os Meninos e o Agreste (1969) ganhou o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, e O Casarão (1975), também de contos, ganhou o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Contos seus estão incluídos em duas dezenas de antologias do gênero e traduzidos para o espanhol, italiano, francês, alemão e inglês. Seu livro mais recente, Veredas Percorridas, foi publicado em 2016.


Repercussão

A morte de Caio Porfírio Carneiro causou repercussão no meio literário. O escritor e colunista do O POVO, Raymundo Netto, lembra que sua obra de estreia, Trapiá, foi uma das escolhidas pela Comissão de Vestibular da Universidade Federal do Ceará, “o que foi motivo de grande alegria para ele, pois mesmo longe de sua terra, não a esquecia. Costumava vir visitar a irmã e, quando isso acontecia, convocava seus amigos escritores”, diz Raymundo. “Apesar da idade, Caio não se abatia, trazia sempre novidades e esperança”, rememora.

 

Ainda sobre o livro Trapiá, Carlos Augusto Viana, membro da Academia Cearense de Letras, comenta: “Norteia-se na busca de uma observação apurada da realidade, seguindo os ficcionistas do neorrealismo. A linguagem se revela simples, coloquial, com acentuadas marcas de regionalismo, entrando em harmonia com o universo rústico das personagens”.


“Sua escrita lúdica, mágica, com personagens tão representativos da nossa cultura, me encantou. E ele encanta mesmo. Seus contos, modalidade narrativa mais praticada por Caio, são em demasia profundos e expressivos que nos fazem chorar como Lilico chorou pelo pato de brinquedo ou se encantar com o gavião como Beto se encantou. Levo Caio comigo da mesma forma como alguém sobe ao pé de um trapiazeiro em busca de sombra e repouso”, diz a mestranda em Letras Elayne Castro, que em 2014 escreveu monografia sobre a obra de Caio.


Sobre a morte de Caio, Sávio Alencar, mestrando em Literatura pela UFC, comenta que é perder, sobretudo, “uma voz humana, mestra da narrativa em forma breve, de olho preciso e sintaxe econômica, mas reveladora de grandes quadros, como aqueles de Trapiá”. “Em Caio, a metáfora é mesmo importante: tudo se conformava harmoniosamente num clique, mesmo que as páginas fossem muitas, e não eram, prova de que se tratava de um escritor, dos grandes, artífice da palavra e de suas imagens”, completa.


Adriano Nogueira

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