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Exposição leva para galeria a obra do cineasta Leonardo Mouramateus

Com curadoria de Beatriz Furtado, exposição Embaralhando os planos leva para a galeria a obra do cineasta cearense Leonardo Mouramateus. Mostra abre hoje e segue até 18 de agosto

01:30 | 18/07/2017

Curta-metragem O Completo Estranho (2014) FOTOS REPRODUÇÃO
Curta-metragem O Completo Estranho (2014) FOTOS REPRODUÇÃO
 

Ao deslocar a obra do cineasta Leonardo Mouramateus da tela de cinema para a galeria, a curadora Beatriz Furtado quer convidar o público para dançar. “Como cada um que vai fruir a obra se movimentará dentro do espaço?”, provoca a pós-doutora em Cinema e Arte Contemporânea, pela Universidade Paris III-Sorbonne-Nouvelle. A partir de onze curtas-metragem do diretor cearense, a exposição Embaralhando os planos propõe uma “desmontagem” do trabalho de Mouramateus. A mostra abre hoje ao público, a partir das 19 horas, na Sem Título Arte e segue em cartaz até 18 de agosto, com visitação das 13h às 18 horas.

 

“O cinema, às vezes, me parece muito um castelo sem portas e me interessa combater a ideia do filme como obra conclusa, algo que não existe na literatura ou nas artes cênicas. Aqui (exposição) as questões de um filme são transportadas para outro, e na galeria essa matéria sólida vai ser ainda mais desfeita”, aponta Leonardo, que atualmente vive em Lisboa, onde gravou seu primeiro longa, António Um Dois Três. Os trabalhos dele já foram expostos em museus tais como Centro Georges Pompidou, em Paris, e Museu de Arte de São Paulo. Em 2015, a Cinemateca Francesa apresentou uma retrospectiva da obra fílmica do realizador cearense, mas, aqui em Fortaleza, é a primeira mostra individual com a obra dele.

Vando vulgo vedita (2016). Direção de Leonardo Mouramateus e Andréia Pires
Vando vulgo vedita (2016). Direção de Leonardo Mouramateus e Andréia Pires

Beatriz conta que a proposta de Embaralhando os planos é pensar o cinema de Mouramateus como disparador de movimentos. “É uma proposta de leitura dos filmes a partir da espacialização da obra, que sai de uma tela única e vai ganhar o espaço em várias telas”, detalha. Ela explica que a ideia da exposição remete à história do cinema, “quando não havia um modelo só” de montagem. “Como o filme chegava em rolos separados, não era inteiro, e aí os projecionistas decidiam a montagem. Era muito comum que o mesmo filme pudesse ser visto de maneiras diferentes”, explica, apontando que a inspiração está nessa experiência diversa de cinema.

“É menos uma ‘exposição do Mouramateus’ e mais um olhar fragmentado para esses motivos, pensá-los em conjunto, não defender uma ideia de ‘autorismo’, mas justamente diluir a ideia de autoria em múltiplas telas”, avança o cineasta, apontando a admiração por Beatriz e a curiosidade de ver os filmes que gravou descompostos no espaço. “Essa é uma dimensão muito pessoal desses trabalhos, e que a Beatriz percebeu, pensar essas peças como fragmentos de um grande todo. Um projeto que, claro, ainda está em processo”, dialoga o cineasta.

Cena do documentário Europa (2011)
Cena do documentário Europa (2011)

Entre as obras que se espalham pela Sem Título Arte, uma permite que o público escute um áudio com gravações em off do próprio Leonardo em seus curtas. Outro trabalho mostra o cineasta dançando em frente a um outdoor, imagem extraída da sequência final do filme Europa. “É uma imagem projetada em uma escala que permite que o público dance com ele. Pode ser uma experiência corporal”, completa Beatriz.

O mote da dança também é levado para outro espaço da mostra. “Tem uma sala fechada com três paredes com projeções de vários filmes deles que têm corpos que dançam. São festas. Catarses por meio da dança”.

SERVIÇO

 

Exposição Embaralhando os planos

Quando: de hoje até 18 de agosto, das 13h às 18 horas

Onde: Sem Título Arte (Rua João Carvalho, 66 - Aldeota)

Entrada franca.

 

RENATO ABê