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Jornal

Getúlio Abelha reestreia o espetáculo Buraco em Fortaleza

Ator "cearense" Getúlio Abelha reestreia o espetáculo Buraco em Fortaleza propondo novas experiências para o público

31/05/2017 01:30:00
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Arte, abertura, jornada e coragem. Essas são algumas das palavras-chave que ajudam a aproximar as histórias e ideias de Getúlio Abelha de quem ouve o que o jovem ator tem a dividir. Borrando a fronteira entre processo, teatro e vida, e encarando-os quase como sinônimos de uma mesma experimentação, Getúlio, piauiense de nascença que se considera um “ator cearense”, oferece ao público Buraco, espetáculo solo “programado” para ocorrer nesta quinta e sexta, às 18 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste.


O termo “programado”, inclusive, não foi escolhido por acaso. “A experiência da apresentação não se separa em nada da experiência que se passa em cada segundo que vivo”, provoca Getúlio. “Buraco surgiu em 2015, numa época em que eu sentia a necessidade de tentar ouvir mais as pessoas e ter mais coragem para ser ouvido por elas. Isso acontece no dia-a-dia, na vida, mas a peça é uma maneira de eu marcar um encontro com essas pessoas e fazer isso. É usar o teatro como recurso para uma troca programada”, segue o ator. Buraco é, em suma, um espetáculo-vida.

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Getúlio criou o trabalho a partir de “pequenas ideias” soltas que foram organizadas por ele até serem estruturadas em forma de peça. “Peguei todas as coisas que passavam pela minha cabeça, reuni tudo e montei Buraco, me preocupando em como juntar esses elementos de vários lugares num espetáculo”, resume. A aposta principal, no entanto, é no improviso e na abertura mútua entre artista e público. “Eu procuro puxar estímulos para expor coisas minhas e saber coisas das pessoas. O artista se coloca num estado de abertura e exposição enquanto deixa a plateia à vontade para também colocar suas questões em jogo e estimular acontecimentos na peça”, ensina.


Buraco foi montada cerca de cinco vezes em Fortaleza durante o ano de 2015. Já em 2016, Getúlio decidiu viajar pelo País, levando consigo a peça — no entanto, o ator alerta: “Eu não saí de Fortaleza por causa do Buraco. Saí porque eu vivo. Se jogar no mundo é uma escolha corajosa. Se eu quero ir para um lugar amanhã, eu vou. Ter um trabalho solo tem a ver com isso, porque não importa onde estou, tenho algo para apresentar”, explica. Nesse percurso de coragem, Getúlio foi de Teresina à Curitiba, chegando até a passar alguns dias fora do Brasil, no Paraguai e na Argentina. “Aconteceu de eu dormir na rua até atravessar a fronteira Brasil-Paraguai a pé. Tudo isso se relaciona com Buraco porque a peça é uma parte da minha vida, assim como essa viagem também foi, assim como estar aqui sentado conversando sobre isso. Funciona como repertório, se relaciona”, afirma. “Nesses percursos por outras cidades, até que eu achasse quem fizesse teatro para me ajudar, a rua estava lá e eu também, fazendo arte, me encontrando com pessoas, fingindo ser coisas que eu não sou, sendo coisas que eu sou. Muitas pessoas até tratam o que eu faço como performance”, aponta Getúlio. “Eu entendo, e inclusive existem momentos que eu me coloco performando, mas, no geral, é uma coisa que se fundiu tanto que, para mim, é só minha maneira de existir. Não existem fronteiras entre uma coisa e outra porque é minha vida. O teatro é uma ferramenta que uso para abrir minhas possibilidades de existir, de viver”, elabora, não sem antes encerrar com um aviso que vai do bem-humorado ao provocador, realçando o caráter orgânico e mutável desse processo-teatro-vida: “Pode ser que tudo isso que eu tenha dito e todas as minhas ideias mudem amanhã”, ri-se.


SERVIÇO

 

Buraco

Quando: 1º e 2 de junho, às 18 horas

Onde: Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Conde d’Eu, 560 - Centro)

Entrada franca.

Telefone: 3209 3500

João Gabriel Tréz

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