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Biografias aquecem mercado editorial

01:30 | 11/05/2017

Ano após ano, as biografias ganham mais espaço no mercado editorial brasileiro. Com histórias polêmicas ou engraçadas, os livros captam espaço nas prateleiras e ajudam na formação de novos leitores. Em 2015, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a publicação de biografias sem autorização prévia pelas pessoas retratadas ou por seus familiares. Apenas casos de possíveis abusos cometidos pelos escritores - como histórias inventadas, conteúdo injurioso ou outro tipo de ofensa - poderão levar o biógrafo a sofrer medidas de reparação definidas pela justiça.

“Biografia é uma modalidade de jornalismo, de reportagem. Neste sentido, deve perseguir a independência e não ter medo de incomodar e até ferir. Deve, principalmente, ser capaz de, a partir do biografado, reconstruir um tempo e oferecer elementos para que o leitor entre no espírito de uma época. As melhores biografias que li são, sobretudo, histórias da sociedade – do ambiente cultural, dos embates políticos – em que o biografado viveu”, explica Carlos Andreazza, editor-executivo de ficção nacional e não-ficção das editoras Record e José Olympio, ao O POVO.

Do ponto de vista comercial, explica Carlos, esse tipo de publicação é um investimento seguro. “O leitor brasileiro gosta de biografias e há mesmo um considerável grupo de leitores que se declara especialmente leitor de biografias”, elucida. Para Jaime Pinsky, diretor da Editora Contexto, a presença constante desses livros nas prateleiras mostra que existe uma resposta do público. “Uma boa biografia precisa de um bom personagem e de um bom autor. E esse personagem pode ser o mais variado possível”, afirma. A Contexto entrou nesse mercado com a publicação de Castello - a marcha para a ditadura, primeira biografia lançada pelo cearense Lira Neto. Desde então, diz Jaime, são recebidas propostas de biógrafos e encomendados textos sobre pessoas de destaque em diversos nichos.

Jaime explica que há, ainda, empresas especializadas em fazer biografias de pessoas comuns. Para um neto que quer homenagear a avó ou uma filha que quer homenagear o pai, por exemplo. São trabalhos mais enxutos, normalmente feitos por jornalistas e que tem tiragens reduzidas. “Às vezes, poucas centenas de livros são suficientes para atender a demanda. É um outro campo do mercado de biografias muito interessante também, que atende principalmente famílias”, explica o diretor.

Decisão do STF

Para Carlos Andreazza, a “decisão histórica” do STF que fulminou a censura prévia não acaba com os riscos de publicar biografias. Os ministro decidiram que, no caso de pessoas com trajetória artística, pessoal ou profissional que tenha dimensão pública, é liberada a divulgação de escritos e imagens com finalidade biográfica. “Uma vez que a obra esteja distribuída ao mercado e, pois, acessível, aqueles que se sentirem prejudicados pelo conteúdo podem e devem recorrer à Justiça. Publicar biografias é seguro comercialmente, mas é também um ato de coragem editorial”. O editor, apesar de considerar legítimo publicar biografias autorizadas pelo personagem ou por sua família, continua preferindo trabalhar com os textos não autorizados.

O que diz a lei?

A ausência de autorização não impede a divulgação de imagens, escritos e informações com finalidade biográfica de pessoa cuja trajetória pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública ou esteja inserida em acontecimentos de interesse da coletividade.

 

SAIBA MAIS

 

As Edições Demócrito Rocha, editora ligada ao Grupo de Comunicação O POVO, mantém no catálogo a Coleção Terra Bárbara - coletânea de ensaios biográficos que mergulham na vida de personalidades cearenses. Segundo a editora Regina Ribeiro, familiares ou o próprio biografado são geralmente informados sobre o andamento da pesquisa. O contato, ela diz, acontece como uma forma de estreitar laços e exprimir delicadeza - pois, com a decisão do STF, não é necessário pedir qualquer tipo de autorização. A Terra Bárbara já colocou no mercado local biografias de personalidades como Fausto Nilo, Dona Mocinha, Ednardo, Mário Gomes e Petrúcio Maia.