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Fortaleza está preparada para receber shows internacionais?

Diante da falta (ainda) de agenda de shows internacionais para 2017, o Vida&Arte avalia os desafios e questiona os potenciais de Fortaleza para receber grandes eventos

01:30 | 07/03/2017
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O ano já chega ao terceiro mês e, com exceção da apresentação do tenor espanhol José Carreras programada para maio, Fortaleza não tem uma agenda de shows internacionais – a exemplo do que vinha acontecendo nos últimos anos. Principalmente depois de 2013, quando a Arena Castelão recebeu Paul McCartney, a Cidade ganhou força como capital na rota dos grandes eventos. Nos últimos anos passaram por aqui nomes como Elton John, Beyoncé, Maroon 5, Iron Maiden, Scorpions, entre outras atrações. Até agora, porém, 2017 parece não acompanhar o mesmo ritmo.


“A questão de espaço para os shows, que antigamente era um problema, não é mais. O que falta aqui é um festival que possa reunir várias bandas”, avalia o assistente administrativo Diego Mota, 27, que já está com ingressos comprados para o Rock in Rio 2017. Para ele, que ano passado viajou para ver shows do Coldplay e do David Gilmour (ex- Pink Floyd), as produtoras locais precisam ter menos medo de inovar. “Iron Maiden, que é metal, lotou o Castelão na terra do forró. Foi lindo. Vale a pena investirem em shows assim. Não vai faltar público”, aponta.


O gerente de compras Paullo Vasconcelos, 26, – que este ano acompanhará a turnê da banda Evanescence em Brasília, Rio e São Paulo – afirma faltar público em Fortaleza para alguns segmentos da música. “Sou um grande fã do Evanescence, mas não acredito que conseguiríamos lotar um espaço para cinco mil pessoas pagando no mínimo R$ 120 em um ingresso aqui”, lamenta. “Eu acredito muito no potencial de Fortaleza. Acredito que temos estrutura, temos estádios, casas e o famoso espaço do Marina Park. Minha paixão por shows começou com o Ceará Music”, conta, também destacando a necessidade de grandes festivais para facilitar a vinda de bandas “menores”.


“Fortaleza já está firme nessa rota dos grandes shows”, assegura Jean Gomes, diretor financeiro da Arena Castelão. Para ele, o bom funcionamento do estádio é peça-chave para garantir que a Cidade vai seguir recebendo artistas internacionais. “O grande desafio é manter o equipamento vivo, dinamizar e trazer receita. Essa arena multiuso foi projetada para receber ‘n’ tipos de eventos. É completamente modulada para atender públicos de cinco mil a 60 mil pessoas”, afirma. Apesar de ainda não ter nenhuma grande apresentação confirmada este ano, Jean afirma que “dois shows internacionais estão sendo trabalhados”. Sem adiantar muito, ele disse se tratar apenas de bandas de “pop rock”.


“Teremos um bom segundo semestre de shows por aqui, ainda mais porque esse ano tem Rock in Rio e os produtores (cearenses) aproveitam e trazem os shows”, é otimista Livia Holanda, gerente geral do Centro de Eventos. Ela é categórica ao afirmar que a Cidade está firme na rota dos grandes eventos e destaca, entre outros pontos, as opções de voos diretos para a Capital e a proximidade com a Europa. “Tivemos um aumento da malha aérea e da rede hoteleira”, celebra.


 Marcelo Rocha, diretor geral da Arte Produções, faz coro. “A Cidade está firmada e consolidada. As produtoras com certeza estão mais seguras para investir”, avalia. Para ele, os eventos recentes atuaram como formadores de plateia para os mais diferentes estilos musicais. “O púbico que comparece aos grandes eventos sempre vem. Acabou se formando essa cultura, criando esse costume e agregando grupos”, aponta.


Na contramão desse avanço apontado por Marcelo, a casa de shows Siará Hall, que recebeu shows de bandas como Megadeth e Motörhead, encerrou mês passado as atividades no endereço fixo em Fortaleza após 12 anos. Por nota, os sócios da empresa responderam apenas que um dos motivos que teria levado ao fechamento da casa de show foi “a dificuldade em manter e obter documentações necessárias para funcionamento, como licenças sonoras, por exemplo. Por funcionar na avenida Washington Soares, área residencial de Fortaleza, o processo é mais burocratizado que o normal”. De acordo com a nota, a empresa será um “centro de eventos e de cultura itinerante”.


Para Marcelo, porém, apesar da existência de problemas de produção, como esse apontado para o fim do Siará Hall, a Cidade “como um todo” já está mais “profissional”. “Fortaleza está pronta pra qualquer tipo de evento. Tanto o setor público quanto o privado estão participando dessa busca pela excelência do serviço”, diz, apontado o ganho recente de espaços como o Centro de Formação Olímpica e o Terminal Marítimo de Passageiros.


 

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