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Prática do bordado ganha novos adeptos em Fortaleza

Atividade milenar que nos últimos anos ganhou novos adeptos em Fortaleza, o bordado livre reúne jovens, homens, mulheres e aposentados

01:30 | 08/02/2017
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Isabel Costa

isabelcosta@opovo.com.br

[SAIBAMAIS] 

O pedaço de linha vermelha se transforma em coração. E os retalhos azuis são vertidos em mar. As mãos tão firmes quanto temerosas seguram o bastidor, armação em que se prende o tecido ou o pedaço de papel. Na mente há certezas e indagações sobre os caminhos que o próximo ponto vai tomar. Prática milenar, o bordado ganhou novos adeptos em Fortaleza. A demanda maior de interessados fez surgir cursos, aulões gratuitos, exposições e grupos que se reúnem para transformar linha em poesia.

 

Diferente do que aponta o senso comum, bordar não é uma atividade solitária. Turmas utilizam espaços públicos como ponto de encontro. É chegar com linha, tesoura, agulha e ingredientes para um piquenique coletivo. “Tem muitos encontros na Cidade para bordar. É uma relação da arte com a ocupação dos espaços públicos e isso é maravilhoso”, comemora Júlio Lira, coordenador do Espaço Jornadas Criativas, que oferece formações variadas de arte para iniciantes e profissionais. No próximo dia 25 de março ocorre a quarta edição do Borda aqui, Borda acolá - evento que reunirá grupo de bordadeiras autônomas no Parque do Cocó.


Júlio é entusiasmado pelo bordado em suas diferentes formas. Artista e professor, ele aponta que novas luzes foram jogadas sobre os processos criativos que envolvem linha e agulha. “Antes, ele tinha uma função apenas decorativa, mais ligada ao ambiente doméstico. E agora está sendo usado de forma mais expressiva, com outras funções. Nas artes visuais, o bordado está mais usado para o desenvolvimento de peças”, elucida.

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Outro mito é que apenas senhoras da terceira idade são adeptas do bordado. Basta conferir eventos e cursos, entretanto, que fica provado o caráter eclético entre os interessados da prática. São adolescentes, homens, mulheres, trabalhadores e aposentadas. “Fico feliz e orgulhosa quando finalizo um trabalho, pois foi algo que foi feito por mim. Muitas pessoas acham estranho quando me veem com o meu material, como se bordado fosse atividade para exclusiva para pessoas com idade avançada, o que é um grande estereótipo”, aponta a professora Mylla Amaral, 25 anos.


Ela integra o Grupo Iluminuras, que existe desde 2014 no Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará (UFC). No projeto são escolhidos textos e os participantes produzem peças bordadas a partir das temáticas lidas. “É uma atividade que exige concentração, por isso, é o momento da semana que eu relaxo e tento pensar apenas no projeto que estou desenvolvendo”, diz Mylla.

 

SERVIÇO

 

Borda aqui, borda acolá

Quando: 25 de março, das 14h às 16 horas

Onde: Parque do Cocó

Outras info: https://bit.ly/2kt3VHx

 

ADRIANO NOGUEIRA

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