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Mistura da Nação

Com show no Dragão do Mar, Nação Zumbi volta a Fortaleza comemorando os 20 anos do disco Afrociberdelia

01:30 | 27/01/2017
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João Gabriel Tréz

ESPECIAL PARA O POVO

joaogabriel@opovo.com.br

[SAIBAMAIS]

De tempos em tempos, a música brasileira lembra ao País que muito do que há de melhor nele passa pela ousadia, a mistura e a valorização das raízes – no fim dos anos 1960, por exemplo, isso veio com a Tropicália. Já em 1996, a onda veio de Recife, com o manguebeat. Chico Science foi o principal ícone do movimento e os álbuns da Nação Zumbi, que contaram com ele nos vocais foram marcos da época. Um deles, Afrociberdelia, completou 20 anos no ano de 2016. Comemorando a data, a banda viajou o Brasil com uma turnê especial que chega hoje a Fortaleza. A apresentação acontece na Praça Verde do Dragão do Mar, às 20 horas, com show de abertura de Saulo Duarte e a Unidade.


Em entrevista ao O POVO, Jorge du Peixe, vocalista da Nação Zumbi, avaliou a experiência de revisitar o repertório de Afrociberdelia décadas depois. “É muito legal tocá-lo 20 anos depois, ensaiá-lo mais uma vez, porque vemos o disco em outra perspectiva. É interessante também porque ele tem músicas que, até então, a gente não tinha levado para o palco”, conta. O disco é até hoje considerado um dos principais da música brasileira por apostar em sonoridades e temas que misturavam influências daqui e de fora, juntando, por exemplo, hip hop, rock e rap com maracatu e batuques regionais.“O disco esteve muito à frente do tempo na época, e ainda soa muito atual. O primeiro (Da Lama ao Caos) é mais cru, enquanto esse tem mais elementos do hip hop, a spoken word (palavra falada), mais poesia”, relembra Jorge. A época marcou também a abertura de uma produção mais forte e com maior alcance da arte feita na capital pernambucana. “A partir dos anos 90, a coisa descentralizou e Recife passou a dar seu grito. Houve também muita gente de lá indo para São Paulo, e muita coisa se alterou no som feito, por conta desse êxodo”. O vocalista avalia que a produção hoje é ainda mais descentralizada com a ajuda da tecnologia. “Vivemos outros tempos, onde podemos trocar fragmentos de composições por e-mail”, exemplifica.


Entre os planos futuros da banda, há a ideia de trabalhar em um novo disco autoral. Antes disso, porém, a Nação Zumbi se volta para o Radiola NZ, título provisório do próximo álbum, que será apenas de versões. “A ideia é fazer um volume do que a gente gosta de ouvir, com coisa antiga, atual, nacional, internacional”, adianta Jorge.

 

CARANGUEJO ELÉTRICO

Em 2016, além dos 20 anos do disco, Chico Science completaria 50 anos. Já em 2017, a data a ser lembrada são os 20 anos da morte do músico, falecido em fevereiro de 1997. Em sessões gratuitas, o Cinema do Dragão exibe hoje, às 16 e 18 horas, o documentário Chico Science - Um Caranguejo Elétrico. Para pegar ingressos, chegar 2h antes da sessão.

 

SERVIÇO

 

Saulo Duarte %2b Nação Zumbi apresenta Afrociberdelia 20 anos

Quando: hoje, 27, a partir das 20h

Onde: Praça Verde do Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81)

Quanto: R$ 40 (meia) - Meia solidária mediante a doação de cinco litros de água

Telefone: 3488 8600

 

ADRIANO NOGUEIRA

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