VERSÃO IMPRESSA

Gaby Amarantos se apresenta no Dragão do Mar nesta segunda

Cantora paraense se apresenta em Fortaleza dentro da programação da 10ª Bienal da UNE. Em entrevista ao Vida&Arte, a artista discute música, preconceito e relação com o próprio corpo

01:30 | 30/01/2017
[FOTO1]

Renato Abê

renatoabe@opovo.com.br

 

A música 50 reais, da cantora Naiara Azevedo, narra a história de uma mulher traída que flagra o marido com a amante, mas surpreende ao deixar uma quantia em dinheiro para ajudar a pagar a conta do motel. Se o hit fosse composição da paraense Gaby Amarantos, certamente a mulher em questão estaria investindo os tais R$ 50 numa noitada. “Eu estou mirando mais nessa fase de mostrar que a mulher é poderosa, é alegre”, elabora a cantora que acaba de lançar o single Fogo. Gaby se apresenta hoje à noite em Fortaleza dentro da programação da 10° Bienal da Une. O show é gratuito e será na Praça Almirante Saldanha, em frente ao Centro Dragão do Mar de Arte e cultura.


“Fogo, na verdade, é uma música que bebe na base da bachata, um ritmo latino, mas inevitavelmente eu sabia que ia ter essa comparação com a música sertaneja”, conta. “Acho a comparação muito positiva, porque (o sertanejo feminino, ou ‘feminejo’) é um movimento que eu acho incrível e que é o novo sucesso das cantoras na música”, aponta. Ela, porém, diz que a mulher retratada por ela nas suas composições “já chutou o pau da barraca e venceu” os problemas amorosos. “A fase da sofrência é importante, porque é pela sofrência que a gente passa e cresce, mas já estou focando mais no lado superação”, afirma.


No novo álbum, que está prestes a ser lançado, a cantora dá voo ainda mais altos na mescla entre ritmos e temas. “As minhas músicas novas estão todas com uma sonoridade mais popular, radiofônica, porque, sim, eu quero que meu trabalho seja abrangedor. Eu não gosto de ficar limitada a uma caixinha. Eu posso ser o que eu quiser”, arremata.


O show que chega hoje à Capital faz parte de um projeto da Gaby chamado Jurunas Som Sistema, cuja proposta é apresentar sonoridades de periferias mundo afora, da Angola à Colômbia. No repertório, releituras de sucessos de eletro-cumbia, kuduro, tecno-brega, reggaeton, dancehall e funk. “É um show muito dançante, para cima”, convida. Do início da carreira, quando explodiu com Ex mai love, ela guarda a essência do treme-treme, mas vai além. “Hoje eu me sinto numa posição de compositora, mostrando para as pessoas que eu vou além do primeiro CD”, diz.


Além de propagar a afirmação feminina nas músicas, a artista leva o discurso de combate ao machismo, racismo, homofobia e gordofobia para a vida e para as redes sociais na web. “Fico muito feliz, porque são vários mitos que vão sendo quebrados. É importante mostrar que a mulher com curva, plus, alta, baixa, de todos os corpos, pode se sentir linda e maravilhosa”, confirma. Ela celebra poder problematizar questões como essa junto ao público. “Eu uso meus turbantes, meus figurinos exuberantes e eu sou muito sortuda, porque eu posso usar tudo isso nos palcos pelo Brasil”.


Para ela, é importante deixar para trás, de uma vez por todas, essa noção estética de padronização. “Quero que as pessoas tenham coragem de ser como elas querem ser e não como a sociedade impõe. Eu acho que existe uma imposição social para a gente ser básico, até arco-íris tem sete cores lindas”, se diverte.


A luta da cantora, porém, em alguns momentos se torna mais difícil. Em novembro, ela foi alvo de comentários racistas na internet e agora está movendo ação jurídica para resolver o caso. “É muito importante combater com justiça qualquer forma de intolerância”, aponta. Ela diz ter sofrido preconceito até por “parecer” nordestina. “Quando as pessoas me confundem com nordestino eu fico toda me achando”, contrapõe. “Se eu que sou uma mulher famosa passei por essa situação, imagina a mulher que está ali na periferia. É muito importante mostrar para os preconceituosos que a gente vai exonerar isso e o amor vai vencer”, assegura.

 

SERVIÇO

 

Show da Gaby Amarantos

Quando: hoje, a partir das 22 horas inicia programação musical

Onde: Praça Almirante Saldanha (em frente ao Centro Dragão do Mar)

Programação gratuita

Info: une.org.br


ADRIANO NOGUEIRA

TAGS