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Ignácio de Loyola Brandão na ABL

| Cadeira 11| Eleito por unanimidade, o escritor vai ocupar a vaga do jurista Helio Jaguaribe

16/03/2019 02:28:57
O escritor Ignácio de Loyola Brandão  é o novo imortal da Academia Brasileira de Letras
O escritor Ignácio de Loyola Brandão é o novo imortal da Academia Brasileira de Letras (Foto: Chico Alencar, em 9/9/15)

Em 2016, às vésperas de completar 80 anos, Ignácio de Loyola Brandão ganhou o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras a um escritor pelo conjunto da obra. Seu nome logo surgiu como um possível candidato a uma eventual vaga na ABL - mas ele não quis. De lá para cá, três escritores, um cineasta e um jurista foram eleitos imortais. A instituição tem 40 membros e uma nova eleição é convocada quando um deles morre.

"Eu nunca tinha pensado em me candidatar, achava que não era para mim. Mas é para mim, também. Não sei quanto tempo mais eu tenho, mas sinto uma vontade tão grande de chegar lá em cima e esse era mais um passo, mais um degrau subido. E se vierem outros eu vou subindo, nem que sejam os da Penha", brincou o escritor em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo assim que soube que tinha sido eleito, por unanimidade, aos 82 anos, o novo imortal da Academia Brasileira de Letras.

A eleição foi realizada na última quinta-feira, 14, e Loyola Brandão concorreu com outros 11 candidatos - nenhum com sua trajetória reconhecida pela crítica e pelo público - à vaga do jurista Helio Jaguaribe, morto em setembro.

Jornalista com passagens pelas redações do jornal Última Hora e de diversas revistas, Loyola Brandão é também, desde 1993, cronista do Estadão.

Estreou na literatura em 1965 com o os contos de Depois do Sol, e seu livro preferido é Dentes ao Sol (1976), seu "maior fracasso". O reconhecimento maior veio com os romances Zero (1975), censurado na ditadura militar e publicado primeiro na Itália - e que vendeu, aqui, cerca de 900 mil exemplares -, e Não Verás País Nenhum (1981), seu best-seller, com 1 milhão de cópias vendidas. É autor, ainda, de Bebel Que a Cidade Comeu (1968) e de Obscenidades Para Uma Dona de Casa (1981), entre outras obras.

No ano passado, depois de uma década sem publicar ficção, o escritor voltou ao romance com Desta Terra Nada Vai Sobrar a Não Ser o Vento Que Sopra Sobre Ela - uma obra que nasce de sua observação do "momento confuso atual do Brasil".

Além do reconhecimento e prestígio, Ignácio de Loyola Brandão tem outro motivo para comemorar sua entrada na Academia Brasileira de Letras. "Estou muito feliz porque a minha geração chegou aqui: João Ubaldo Ribeiro, Moacyr Scliar, Nélida Piñon, Antonio Torres e agora eu. Uma geração 1960-1970 que batalhou muito pelo País, numa época muito difícil - e que estamos entrando em outra igual", disse. (Ag. Estado)

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