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Jornal

Um reino para todos

| O Príncipe Dragão | Com duas temporadas disponíveis na Netflix, série conta com trama envolvente para apresentar, de forma leve e natural, temáticas inclusivas de representatividade

16/03/2019 02:33:47
O príncipe dragão
O príncipe dragão (Foto: Divulgação)

Em O Príncipe Dragão, a narrativa de fantasia-medieval atrai pela beleza estética da animação que mistura gráficos 3D com pinturas feitas à mão, tendo como encarregado pela produção o estúdio Bardel Entertainment, que assina projetos conhecidos pelo público como Anastasia (1997), O Príncipe do Egito (1998) e o mais recente Teen Titans Go! (2013).

A série acompanha as aventuras de Callum e Ezran, que se juntam a elfa Rayla para devolver o último ovo do Rei Dragão e assim acabar com a guerra entre o reino-humano e o reino-mágico. Ao longo da primeira temporada, observamos o desenvolvimento dos personagens de forma paciente e profunda, explorando suas conquistas e sacrifícios no processo de amadurecimento de cada um. É constante a mensagem de que "crescer significa enfrentar coisas difíceis para as quais não estamos preparados".

Personagens como Amaya, general que se comunica através da linguagem de sinais; Villads, um pirata completamente cego que veleja sem problemas o seu navio; ou ainda Ava, a loba de três patas, trazem a diversidade e o sentimento de representatividade para o público mais jovem, que passa a discutir e normalizar estas questões. Contamos também com minorias ocupando cargos de alto poder, como Rei Harold, um dos protagonistas negros, e o casal de Rainhas de Duren que trocam um beijo durante a segunda temporada, tudo mostrado de forma muito fluida.

Aproveitando o espaço conquistado por heroínas como Mulher-Maravilha e Capitã Marvel, é importante chamar a atenção para a situação de poder dada às mulheres, tanto relacionado à forte personalidade, inteligência e empoderamento como aos cargos na nobreza que quebram estereótipos. Nada de rainhas frágeis aqui, mas guerreiras habilidosas e sábias que ganham grande destaque na dinâmica do reino.

Vale lembrar que Aaron Ehasz, um dos criadores da série e também roteirista/editor-principal de Avatar: A Lenda de Aang, já costumava apostar na diversidade de personagens, como fez com Toph, a dobradora de terra que prova que sua cegueira não é um obstáculo em sua jornada para salvar o mundo em Avatar.

A Netflix ainda não comentou sobre a data de uma possível terceira temporada, mas O Príncipe Dragão promete continuar trazendo um bom ritmo narrativo e a forma sensível com a qual vem introduzindo temáticas relevantes para todos os públicos.

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She-ra
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Outras séries infantis que apostam em temáticas sociais

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Criada por Rebecca Sugar, a série mostra o relacionamento de um garoto de 13 anos e sua família nada convencional de 3 guardiãs alienígenas, as Crystal Gems. Enquanto amadurece, Steven lida com temáticas como a perda de sua mãe biológica, o relacionamento com o pai e a diversidade apresentada na série, como o casal lésbico de Ruby e Safira.

She-ra e as Princesas do Poder

O reboot criado por Noelle Stevenson, traz a adolescente Adora que descobre uma espada mágica que lhe garante os poderes de She-ra, uma lendária guerreira. A série aborda um mundo onde as princesas são figuras corajosas, inteligentes e diversificadas, havendo até polêmicas envolvendo o design de She-ra, considerado muito masculino e distante da versão "mais adulta" de 1985.

Hora de Aventura

A famosa animação de Pendleton Ward para o Cartoon Network explora o pós-apocalíptico mundo de Ooo, tendo como protagonista Finn, o humano, e Jake, o cão. Além de discutir questões de assédio através do vilanesco Rei Gelado, a série traz personagens femininos cheios de atitude e deixa implícito um relacionamento entre a inteligente Princesa Jujuba e a rebelde vampira Marceline.

Valdir Muniz