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Espetáculo "Estrelário", da Edisca, estreia neste fim de semana

Obra encerra trilogia da companhia de dança Edisca sobre o sagrado

14/03/2019 02:17:50
EDISCA apresenta sua décima geração de bailarinos no espetáculo Estrelário
EDISCA apresenta sua décima geração de bailarinos no espetáculo Estrelário (Foto: Divulgação)

Há pouco mais de um ano, a bailarina e coreógrafa Dora Andrade iniciou uma campanha para corrigir os vazamentos que assolavam o telhado da Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente. Cada ajuda, partilhada entre tantas mãos, refez o céu da sede do renomado grupo cearense Edisca em uma constelação, "uma verdadeira incubadora de estrelas". Nascia, ali, a semente do espetáculo Estrelário. Inédito, o número estreia hoje na Capital e segue em exibição até o próximo sábado, 16, em duas sessões por dia: às 18h e às 20 horas.

Criadora da Edisca, Dora explica que Estrelário é uma obra que ganhou vida própria ao longo do processo de produção e fecha a trilogia iniciada com os espetáculos Sagrada (2011) e Religare (2015). "Quando fizemos o Sagrada, falávamos da sacralidade de todas as formas de vida do planeta, da importância da água como bem fundamental e finito. Já no Religare, nos aproximamos da questão da espiritualidade do homem, de povos se conectando com o divino. É importante dizer que a escola é laica, mas a gente queria abordar essa dimensão da espiritualidade", argumenta. "Estrelário é sobre o sagrado aqui e agora; ele está dentro de nós, 'vós sois deuses'. É sobre essa fagulha do divino que a gente quer falar, essa fagulha que está em todos. Quando esses meninos e meninas encenam, eles não representam a Edisca: eles representam centenas de milhares de crianças de periferias do mundo. Nossa pretensão é que a sociedade transforme o olhar sobre os mais pobres e vulneráveis", complementa.

Com 18 bailarinos no palco em uma compacta montagem de 40 minutos, Estrelário apresenta novidades ao público: ao contrário dos demais, o espetáculo não é encenado pelo corpo de baile da Edisca, mas pela companhia de dança da escola. Esta, aliás, é a décima geração de bailarinos formados ao longo dos seus 28 anos de existência. A coreografia é assinada pelos irmãos Dora, Gilano e Cláudia Andrade.

Graduado em Dança pela Universidade Federal do Ceará, Eli Ananias é um dos ingressos mais recentes da Edisca - está no grupo há cinco anos -, mas já trabalha pelo projeto que tanto acredita. "De ser porteiro a coreografar o corpo de baile, um Severino!", ri-se. Integrante da companhia, o dançarino celebra a forte herança histórica de Estrelário. "É um espetáculo mais subversivo. A Edisca trabalha com dança contemporânea nas apresentações, mas os outros números prezam mais por uma técnica. Já Estrelário é mais sensorial: remete a uma ancestralidade que a gente perdeu, essa proximidade divina com a natureza", continua.

Estrelário também é o primeiro espetáculo que estreia na própria sede da Edisca. É ali, no bairro Água Fria, que funciona o projeto responsável por aulas e atividades socioeducativas para mais de 300 crianças e adolescentes em bairros vulnerabilizados na Capital. "O espetáculo sempre é a grande janela e a Edisca é muito respeitada, mas é importante que todos saibam que não somos 'apenas' uma escola de dança. Vamos receber as pessoas na nossa casa e, quem desejar, pode conhecer um pouco da estrutura da Edisca, como nossa biblioteca e o refeitório. Queremos tornar visível o todo", convida Dora.

Habilmente coordenada pela família Andrade desde 1991, a Edisca atua em regiões como Grande Bom Jardim, Morro de Santa Terezinha, Castelo Encantado, Conjunto Palmeiras e na área do Dendê. Finaliza Dora: "68% dos atendidos pela Edisca estão abaixo da linha de pobreza. Há uma recessão absolutamente concreta no País, de uma gravidade extrema, que deixa a nação profundamente fragilizada. Eu me sinto em campanha há 28 anos, é uma luta que não dá pra narrar. A Edisca tem uma capilaridade enorme, é uma felicidade ver tudo isso eclodir".

Espetáculo Estrelário, Edisca

Quando: 14, 15 e 16/3;
18h e 20h

Onde: Teatro Edisca - Prof. Antônio Carlos Gomes da Costa (Rua Desembargador Feliciano de Ataíde, nº 2309, Água Fria)

Quanto: Uma lata de leite em pó. Troca nos dias das apresentações, na portaria do Teatro Edisca, a partir das 13h

Classiicação livre

Bruna Forte