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marquês da varjota

Mestre da gastronomia portuguesa na Capital

|MARQUÊS DA VARJOTA|Expert compartilha sua visão sobre a gastronomia local e reforça a tradição portuguesa na Cidade

PÃO de Ló de Ovar (Indicação Geográfica Protegida), preparado com açúcar, ovos, pouca farinha de trigo e fermento
PÃO de Ló de Ovar (Indicação Geográfica Protegida), preparado com açúcar, ovos, pouca farinha de trigo e fermento

Estive com uma pessoa ligada à gastronomia e que tem como foco central, além de ser um bom gourmand, dar sua opinião em jornais e revistas do mundo e complementar sua condição de vida, que é estar sempre próximo ao que ele mais ama e também admira. Virgílio Nogueiro Gomes é professor da Cadeira de História da Alimentação no Mestrado de Ciências Gastronômicas em Lisboa. "Além disso, tenho um prazer enorme de dar aulas na Associação dos cozinheiros profissionais", destaca Virgílio. Mas este homem atento e muito inteligente aponta que o ensino de Portugal na atividade de gastronomia se preocupa com a tradição relativa à cozinha de origem portuguesa. "Por conta disso eu venho a Fortaleza há mais de dez anos e sempre tenho procurado estudar e encontrar recantos onde a culinária de origem cearense esteja sendo preparada. A culinária daqui é muito rica no preparo com insumos naturais que destacam os sabores locais. É muito importante que o mercado local perceba o quanto tem de refinamento na cozinha regional e passe a trabalhar mais conceitualmente seus cardápios, com destaque para pratos típicos, que são encontrados atualmente em algumas cidades do interior do Estado".

Virgílio comenta que tem visto cardápios enormes e que apresentam muitas vezes pratos muito semelhantes com poucos insumos para diferenciá-los. Quando chega o inverno na Europa, Virgílio Nogueiro Gomes parte para Fortaleza. Segundo ele, já são 12 invernos passados aqui. Durante esse tempo o mestre da gastronomia portuguesa encontra melhorias representativas no mercado da cozinha de nossa cidade. Pergunto a Virgílio o que ele pontuaria para dar mais avanço ao nosso mercado. "Nessa vinda atual posso começar por quatro itens do coração. Em relação aos cardápios que me são apresentados sugeriria que a comida estivesse corretamente informada. Às vezes o título é muito sugestivo, mas a informação destoa do que está sendo apresentado".  Meu segundo item se refere ao meu retorno aos restaurantes locais. "Eu sou um admirador do serviço das casas de repasto. Quando sou bem atendido, já estou parcialmente conquistado. Não gosto de música ao vivo em um restaurante. Porque comer é um ato sacralizado. Aceito a música quando ela está pelo menos relacionada ao conceito da casa". E complementa: "Em relação às sobremesas gosto de tudo, menos dos doces. Tenho um paladar diferente das pessoas daqui que gostam de sobremesas mais adocicadas. Confesso que tenho um mal-estar diante do leite condensado. E muitas vezes esse leite permeia o sabor de diferentes sobremesas. O açúcar, a meu ver, deve ser usado com muita parcimônia".

O Povo