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Jornal
MÚSICA

TROPICAL ELETRÔNICO

|PROJETO| Trazendo sua mistura dançante de sons do Pará e experimentos eletrônicos, Felipe Cordeiro é atração do Férias na PI com show, DJ set e oficina de guitarrada

26/01/2019 14:47:58
Felipe Cordeiro
Felipe Cordeiro

Entre lambadas, bregas, carimbós e outras sonoridades, Felipe Cordeiro, 35, passeia por tudo e experimenta muito mais. "Eu tenho, ultimamente, me interessado muito por música eletrônica", confessa de cara o paraense, que está em Fortaleza desde o início da semana. "Estava em Belém e, como eu não sou besta, cheguei antes! Fazia tempo que eu não vinha aqui e achava que seria legal aproveitar um pouco mais essa cidade", disse o músico, que será uma das atrações de hoje do projeto Férias na PI em show logo mais, a partir das 17h30min, na Praia do Lido, ao lado de Mulher Barbada e do grupo baiano Afrocidade.

Filho de Manoel Cordeiro, um dos expoentes da cena musical paraense, Felipe, por pouco, não envereda para outro caminho. "Cresci realmente no meio musical. Com uns 11, 12 anos, estudei um pouco de piano, bandolim, mas, na hora de fazer um curso superior, já estava muito interessado nessas coisas de Brasil, e a música foi uma linguagem pra entender isso. Aí acabei fazendo Filosofia, me formei e quase fui professor, mas não deu certo", relembra ele, que já possui os CDs Kitsch Pop Cult (2012) e Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor (2013), além do DVD Brea Époque (2017).

Felipe Cordeiro adianta que o show em Fortaleza será mais voltado para o eletrônico, tendo em sua formação, além do pai, as presenças do paraibano Furmiga Dub (programação e synth) e Márcio Jardim (percussão), integrante do Trio Manari. "Irei misturar músicas do repertório dos meus últimos dois discos e, como estou próximo a lançar um novo, estou experimentando uma música nova e algumas surpresas no contexto de música paraense", revelou o músico, referindo-se ao terceiro CD, batizado de Transpyra, com previsão de lançamento para "meados de março, abril".

Além do show, Felipe Cordeiro será DJ amanhã, às 15 horas, na Ponte Velha (Poço da Draga), ao lado do Patifaria, junção das festas Viva la Pachanga (Priscilla Delgado) e Catiguria (Albano Seletor, Marquinhos e Thales Aurélio). "Pra mim, vai ser uma diversão. Vou soltar um set de uma hora e pouquinho, colocando as minhas influências, coisas da América Latina como um todo", resume. De segunda a quarta-feira, das 14h às 17 horas, desta vez no Centro Cultural Belchior, Felipe e Manoel Cordeiro irão ministrar a oficina de Guitarrada - Teoria e Prática.

"Eu sou um artista da nova geração, mas que também convivo com outras gerações. O que eu percebo é que, há muitas décadas, os artistas vinham tentando algo que se afirmasse fora do Pará, mas eram um pouco desligados de uma ideia geral de música paraense. Hoje em dia, a gente tem a Gaby Amarantos, Lia Sophia, Jaloo, etc., que são artistas que conseguiram afirmar uma linguagem paraense e colocar o Pará no mapa da música. Até a própria culinária paraense conseguiu isso também. Eu fico muito orgulhoso de fazer parte porque já deixa um legado", credita.

Teresa Monteiro