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Jornal
NEY MATOGROSSO

O bloco ganha a rua

| rio de janeiro | Com figurino criado pelo estilista Lino Villaventura, Ney Matogrosso estreia nova turnê e ganha o público logo o nos primeiros minutos de show

01/02/2019 08:55:42
FIGURINO criado por Lino Villaventura segue
FIGURINO criado por Lino Villaventura segue "identidade forte" de Ney

Ney Matogrosso fez a estreia nacional no Rio de Janeiro de mais uma turnê que promete ser longa. Bloco na Rua, que sucede a heroica Atento aos Sinais, é um show roqueiro, com versões para muitas músicas conhecidas e apenas uma inédita: Inominável, de Dan Nakagawa. O início tem um choque dos mais fortes produzidos em seu histórico. As cortinas se abrem rapidamente, a banda começa a tocar e Ney está em um tablado ao fundo do palco, com um capuz cobrindo a cabeça e o corpo vestido por uma peça colada, dourada, como uma armadura, criada pelo estilista cearense Lino Villaventura. É a única peça usada pelo cantor no show.

Um canhão de luz atinge a cabeça de Ney, ele retira o capuz e a plateia ovaciona. Então, caminha até a frente do palco e canta Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio. Ney preparou um começo arrasador, colando três músicas fortes. Assim que termina o Bloco, ataca de Jardins da Babilônia, que a amiga Rita Lee cantou com o Tutty Frutti, e depois, O Beco, dos Paralamas, que tem os metais de sua introdução reproduzidos fielmente pela pequena sessão de sopros. "Será que eu consigo chegar ao fim", disse Ney à tarde, depois da passagem de som, brincando com o estado ofegante que a tríade lhe deixava.

Pouco antes do novo espetáculo estrear, na tarde de sexta-feira última, 11, O POVO conversou com Lino Villaventura. O estilista e o cantor já se conheciam, mas nunca haviam trabalhado juntos em um processo de criação. Lino disse que fazer o figurino o possibilitou ficar mais próximo de Ney - que é uma de suas inspirações de vida. "Você fica seduzido por aquela imagem. O trabalho dele é muito inspirador", acrescenta Lino, que disse considerar o cantor "especial, educado e generoso". A peça usada pelo cantor foi amplamente elogiada nas redes sociais antes mesmo do show acabar e tratada como uma "preciosidade".

A criação, explica o estilista cearense, segue a identidade forte e a diferenciação que Ney Matogrosso pregou ao longo de sua carreira. Na opinião de Lino, não seria possível fugir da personalidade tão marcada ao longo dos tempos. Mas se "diferencia" do que foi feito em turnês anteriores. "Ele tem um imagem forte e essa imagem é consagrada. Você tem que respeitar a imagem que ele criou durante tanto tempo. E até hoje é bem impactante", disse o estilista ao O POVO.

O traje e o início do show colocam a plateia nas mãos do artista logo no início, mas cobram seu preço. O show de Ney não tem fogo alto o tempo todo, e aquela temperatura ganha contraste rapidamente já na quarta canção, Álcool, o bolero de DJ Dolores, e na seguinte, Já Sei, de Itamar Assunção e Alzira Espíndola. Sangue Latino, com novo riff de guitarra de Marcelo Negrão, fecha com vibração, mas só depois de 13 canções.

Ney inclui um bloco romântico com Mais Feliz, A Maçã, Tua Cantiga, Iolanda e Postal de Amor, quebrado só por Pavão Mysteriozo. Reabre com uma bela Como Dois e Dois e fecha com Coração Civil e Feira Moderna. Tem guardada Mulher Barriguda, dos Secos, para noites de plateias insaciáveis. Há ainda um ritmo de palco a ser acertado que a estrada pode imprimir e uma ponderação: um único figurino o tempo não perde a força de sua exuberância? Um show de tantas cores parece pedir a Ney que, por vezes, ele se desfaça do peso. (Isabel Costa, com informações da Agência Estado)

(com informações da Agência Estado)