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Jornal

Compacto metido a invocado: Kwid

O preço de entrada é agressivo: R$ 29.990. Além disso, o lançamento da Renault tem volumosa fila de espera e a ousadia de ser chamado de SUV dos compactos. O POVO testou o modelo, desempenho não decepciona

08/08/2017 01:30:00
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Jocélio Leal

ENVIADO A SÃO PAULO (SP)*

leal@opovo.com.br


Estrela do Salão de Buenos Aires em junho, o Renault Kwid foi agora apresentado em solo brasileiro. Uma apresentação cercada de expectativa ante a ousadia do posicionamento: “o SUV dos compactos”.


Ademais, com preço bastante agressivo - a R$ 29.990 em sua versão de entrada – e pré-venda com fila de espera.


SUV ele não é. Nem aqui nem na Índia. Mas o fascínio dos brasileiros pela categoria, como demonstram as pesquisas de mercado e o desempenho do segmento, fizeram a Renault pegar pela palavra e posicionar o Kwid como fez.


Pela palavra e pelos números: destaca a altura livre do solo de 18 cm, ângulo de entrada de 24º e o de saída de 40º.

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Mas, naturalmente, não chega a falar em uso off road. Apenas quase, quando menciona nossas ruas de asfalto pouco amigável.


O design trabalha pelo posicionamento. A frente segue o padrão dos demais carros da marca, fazendo lembrar utilitários esportivos. Um atributo destacado no carro é o espaço interno.


Tem 2.423 mm de entre-eixos. Mas se os ocupantes forem um tanto maiores, haverá uma sensação de limite ao lado. Isto é visível. O porta-malas tem 290 litros. Dez a mais do que os 280 litros do Chevrolet Onix.


O POVO guiou a versão topo de linha, a Intense (R$ 39.990). Fizemos o percurso Allianz Parque - Sambódromo (Anhembi) – Allianz Parque. Juntando tudo, não mais do que cerca de 20km.


Foi um percurso semelhante ao que a grande maioria dos compradores terão pela frente, uso urbano. O desempenho não decepcionou.

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O motor de três cilindros 1.0 SCe não tem comandos de válvulas variáveis. Em suma, menor custo, menor potência e torque, porém, pareceu o bastante.


Tem 12V e entrega 66 cv com gasolina e 70 cv com etanol, a 5.500 rpm. Em termos de torque, 9,4 kgfm na gasolina e 9,8 kgfm no etanol, a 4.250 rpm. A direção elétrica é eficiente. O câmbio é manual de cinco velocidades.


No ambiente interno do carro, muito plástico rígido, como era de se esperar em um carro desta categoria. Nesta versão mais cara, revestimento branco marfim nas portas, no volante, na chave e nos bancos.


Com uma planilha nas mãos, a Renault otimizou o que podia. Um só limpador de para-brisa, apenas três parafusos por roda, dois bancos dianteiros inteiriços, uma lâmpada de ré.


Os comandos para travamento de portas e de abertura e fechamento de vidros estão no painel. É estranho até você se acostumar, mas há também a opção de não se acostumar.


Na versão mais barata, a direção é mecânica. Não há rádio, apenas predisposição para o rádio e não há ar-condicionado, trio elétrico, apoio de cabeça traseiro central ou computador de bordo.


A propósito, quem compra um compacto, mesmo metido a SUV, está bem preocupado é com a economia. E este é um trunfo do Kwid. Promete fazer 14,9 km com um litro de gasolina na cidade e 15,6 km a estrada. Com etanol, 10,3 km em trecho urbano e 10,8 km em rodovia.


*O jornalista viajou a convite da Renault

 

Adriano Nogueira

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