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Qual é o Brasil que vai atrair investimentos após a reforma da Previdência

Mercado financeiro já sente os bons ventos da economia. Mas investimentos precisam cobrir os cortes

12/07/2019 02:17:08

O dólar atingiu seu menor valor (R$ 3,759) em quatro meses. A Bolsa de Valores também bateu recorde. Quase como num passe de mágica econômico, a aprovação em primeiro turno da Reforma da Previdência já se reflete em mais investimento, emprego e saúde financeira. Se as perspectivas se concretizarem, o Brasil viverá, já no próximo ano, um novo e promissor momento.

Não há números que consigam mensurar o quanto e em quais segmentos esse investimento acontecerá. "O impacto positivo é a crença do mercado internacional de mandar recurso para o Brasil, para criar um novo ambiente futuro", explica o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec),Beto Studart. Na opinião do empresário, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer entre 2,5% e 3% no ano que vem. Os juros, se Beto Studart pudesse apostar, diria que em 20 dias uma queda será identificada, com a taxa Selic saindo de 6.5% para 6%.

A sinalização dada pela aprovação da reforma que promete economizar R$ 900 bilhões em 10 anos é de que o Brasil pagará suas dívidas. Portanto, torna-se terreno seguro para investidores, daqui ou de fora. Para o professor de Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Marcos Melo, o incentivo atingirá especialmente os pequenos empresários. "Na medida que você percebe a possibilidade de vender, você investe, cria e compra produtos para revender", avalia. O ciclo é direto e repetitivo: estabilidade econômica, investimento, mais emprego, mais renda, mais consumo, estabilidade econômica...

Mas para que os bons ventos da economia virem realidade será preciso ter um planejamento. O Governo Federal, propositor do texto que foi votado, precisará apresentar caminhos efetivos para dar fôlego os tão buscados investimentos. "Parte do mercado acha que nas próximas semanas deverá ser elaborado um pacote que estimule a atividade econômica", afirma o economista Ricardo Coimbra. Ele ressalta ainda a inércia do Governo nos últimos meses e o protagonismo da Câmara dos Deputados, mais especificamente seu presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "O legislativo se mostrou forte num período em que o governo se mostrou fraco. Prova que o parlamento, em uma crise econômica, consegue dar respostas mais rápidas", pondera.

O próximo passo para a ascensão brasileira na economia será a reforma tributária. "Essa é que vai gerar o maior impacto. Mas precisava da mudança fiscal para poder haver alguma redução de tributos. Embora a grande questão nem é quanto se paga, mas como se paga. É ela que vai dar embalo na economia", complementa o professor do Ibmec, Marcos Melo.

Sara Oliveira