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Bolsonaro anuncia planos para o Nordeste

| Investimento | Em rápida passagem por Pernambuco, o presidente apresentou poucas ações para a região; a principal delas é a liberação de R$ 4 bilhões do FNE, que é operado pelo BNB

25/05/2019 00:00:33
O PRESIDENTE Jair Bolsonaro durante reunião do Conselho Deliberativo da Sudene
O PRESIDENTE Jair Bolsonaro durante reunião do Conselho Deliberativo da Sudene (Foto: ESTADÃO CONTEÚDO)

A passagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL) por Pernambuco trouxe poucas novidades quanto aos planos do Governo Federal para o Nordeste. A principal delas foi o anúncio de R$ 4 bilhões em recursos do Banco do Nordeste (BNB) para o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

Um dos três fundos constitucionais criados para implementar a política de desenvolvimento entre áreas do País, o FNE tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento dos estados do Nordeste, além do Norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Antes previsto para R$ 23,7 bilhões, o orçamento anual passou a R$ 27,7 bilhões.

O presidente do BNB, Romildo Rolim, explica que o recurso já tem destino. Enquanto R$ 3 bilhões serão direcionados para ações de infraestrutura, R$ 1 bilhão serão utilizados para criar uma nova linha de financiamento, chamada FNE Crediamigo, com objetivo de subsidiar clientes do programa de microcrédito do Banco, o Crediamigo.

"Temos desempregados, mas eles não estão em casa se balançando na rede. Eles têm atividades de sustentação, mas para isso precisam de crédito", afirma Rolim. O presidente do BNB participou de uma das agendas de Bolsonaro em Pernambuco e destacou que a presença do presidente no Nordeste "é prova de que há preocupação com a Região".

O anúncio de recursos para o FNE foi feito durante reunião do Conselho Deliberativo de Desenvolvimento do Nordeste. Com a presença do presidente, de ministros de Estado e de dez governadores - dos nove estados nordestinos e Minas Gerais -, o encontro foi organizado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Em discurso que durou menos de dez minutos e sem a promessa de novos anúncios para a Região, Bolsonaro se comprometeu a ajudar os "irmãos do Nordeste". O presidente aproveitou para elencar ações da sua gestão para a região, como o satélite apresentado pelo ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, que trouxe internet para um milhão de estudantes.

Além disso, relatou Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, encaminhará para as famílias mais pobres 200 toneladas de milho por um preço mais barato pelo programa 'Vendas em Balcão de Milho'. "Eu apenas sou maestro de uma orquestra. Nossos ministros trarão, na medida do possível, para os senhores o que merecem. Eles estarão à disposição para aperfeiçoar o plano para trazer justiça para a região", complementou.

Parte da comitiva presidencial, o deputado federal Heitor Freire (PSL) caracterizou como "tranquilo" o encontro entre Bolsonaro e governadores do Nordeste - quase todos de partidos oposicionistas ao Governo Federal. "Tenho certeza que tanto presidente quanto governadores saíram com outra visão uns dos outros. Nosso presidente nunca se mostrou resistente em conversar e atender quem quer que seja, independentemente de partido ou bandeira", destacou.

Contudo, a opinião do parlamentar não parece ser unânime. "Esperávamos que o presidente, chegando aqui no Nordeste, trouxesse mais notícias boas", disse o governador da Paraíba, João Azevedo (PSB). Segundo ele, é preciso que "efetivamente" o governo mostre a que veio.

A presença na Região com maior índice de reprovação da gestão - 40% avalia o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo - pode não ser efetiva em uma aproximação com o Nordeste. "Popularidade não se relaciona com dinheiro, mas com a capacidade de liderar", afirmou o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, concorda. "Bolsonaro enfrenta dificuldades no País, não apenas no Nordeste". Quando questionado sobre sua alta rejeição no Nordeste, o presidente respondeu de forma dura: "Faça uma pergunta mais inteligente". (Com Jornal do Commercio para a Rede Nordeste e agências)

Luana Barros