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Senadores se dividem sobre efeitos da prisão

| Ceará | Tasso e Eduardo Girão divergem sobre as consequências políticas da prisão de Michel Temer

Entre os senadores cearenses ouvidos pelo O POVO, a prisão preventiva do ex-presidente Michel Temer (MDB) dividiu opiniões. O emedebista, alvo de dez inquéritos, foi levado para a carceragem da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Para o tucano Tasso Jereissati, a ação do Ministério Público Federal (MPF) e da PF, que cumpriu dez mandados de prisão, foi um "processo de abuso de autoridade" que "está acontecendo com alguma frequência".

Conduzida pelo braço fluminense da Lava Jato, a Operação Descontaminação mirou o ex-presidente e o núcleo do MDB denominado pelos investigadores de "quadrilhão". A força-tarefa atribui ao grupo um desvio de R$ 1,8 bilhão em propinas resultantes de fraudes em contratos em Angra 3, das quais Temer se beneficiou pessoalmente.

De acordo com Tasso, no entanto, não havia justificativa para que a prisão do emedebista fosse decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio. "Eu não vejo nenhuma razão objetiva para a prisão do presidente Temer", disse a jornalistas ontem. "Eu posso falar isso porque sempre fui oposição ao Temer. Ele não está fugindo, que eu saiba, ele tem endereço fixo."

O senador negou que estivesse defendendo o ex-presidente. Em nota enviada após a repercussão de sua fala, Tasso disse que, "com a isenção de quem sempre lhe fez oposição, inclusive tendo sido afastado da presidência do PSDB por esse motivo, me senti confortável para criticar a da prisão preventiva".

Questionado sobre o efeito que a operação de ontem pode ter sobre a pauta do governo de Jair Bolsonaro (PSL) no Congresso, o senador avaliou que o episódio não muda nada. Tasso será relator da reforma da Previdência no Senado caso a proposta seja aprovada pela Câmara.

Colega de Casa, o também senador Eduardo Girão (Podemos) festejou a prisão de Temer e a de outras pessoas ligadas ao emedebista, entre elas o ex-ministro Moreira Franco, sogro do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Para Girão, a nova fase deflagrada pela força-tarefa mostra que a "Lava Jato está empenhada no combate à corrupção" e que "ninguém está acima da lei". O parlamentar acrescentou: "Já tivemos dois presidentes e muitos outros políticos presos por investigações dessa operação, e é importantíssimo que ela não seja fragilizada, porque a sujeira está sendo exposta".

Sociólogo da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do Conselho de Leitores do O POVO, Cleyton Monte diz que a operação de ontem "foi uma ação reativa e estratégica do comando da Lava Jato" e que se trata de uma "forma de mobilizar a opinião pública num momento em que eles estão perto de perder poder".

Sobre a possibilidade de que a nova fase da Lava Jato atrapalhe a agenda econômica de Bolsonaro, Monte avalia que o "evento não deve alterar o processo das reformas".

O POVO tentou contato com o senador Cid Gomes (PDT), mas o pedetista não se manifestou sobre o episódio. Além disso, a reportagem também procurou o ex-senador Eunício Oliveira (MDB). Por meio de assessoria, o ex-presidente do Congresso falou que não iria comentar a prisão de Temer.
(Henrique Araújo)

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