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Jornal

O POVO acompanha ronda policial em comunidade de Fortaleza

Clima era de desconfiança na comunidade

10/01/2019 01:30:00
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Pelas vielas do "Luxou" - comunidade de baixa renda que contrasta com as casas de alto padrão na Praia do Futuro -, o clima era de silêncio entre moradores, enquanto a Polícia Militar (PM) realizava patrulhamento no bairro, na tarde de ontem, 8º dia da série de ataques na Capital. O POVO acompanhou a ação.

 

"Aqui é uma comunidade agitada. Mas, devido a gente estar fazendo essas incursões, você vê que eles estão acuados", analisa o major Hideraldo Bellini, do 22º Batalhão da PM. Sobre qual tem sido a tática, o oficial explica que tem recebido auxílio da inteligência da Polícia, além do uso de drones para monitoramento aéreo.

 

Marcações em muros indicam que a área é dominada pela facção Comando Vermelho (CV). Segundo Bellini, teria sido da comunidade que partiu a ordem para que comerciantes da Praia do Futuro não abrissem o comércio na terça-feira, 8. Além disso, a iluminação em algumas ruas foi danificada e o lixo se acumula em montes.

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"Eles quebraram lâmpadas e ameaçaram muitos comerciantes do bairro. Os motoqueiros saíram daqui. Essas ordens, com certeza, eles estão recebendo de dentro do presídios", arrisca o major. Enquanto os policiais percorriam os becos esvaziados, com armas em punho, alguns moradores acompanhavam a movimentação com discrição. "Não sei de nada", limitou-se a dizer uma mulher acerca de quando as lâmpadas foram quebradas. Um adolescente de 17 anos foi apontado como responsável pelos danos. Abordado pela PM, ele negou a autoria, bem como ser ligado a uma facção.

 

As condições de vida do jovem, que tem duas passagens pela Polícia, são precárias: mora em uma construção de dois vãos, com um banheiro sem vaso sanitário, dividindo o espaço com mais seis pessoas. Entre estas, os irmãos de oito meses, três anos e seis anos, que não vão à escola. "É porque não é bom de condições aqui, não. É ruim pra arrumar o dinheiro pros cadernos, essas coisas", fala, emocionado, o jovem que estudou até a 7ª série do Fundamental, e diz trabalhar vendendo água na praia.

[SAIBAMAIS] 

Conforme Bellini, que comanda a área há dois anos, com o reforço da Força Tática, oito equipes têm se revezado em turnos de 12 horas na região. Com 24 anos na corporação, o major da PM se diz surpreso com a onda de atentados. "Desse nível, não tinha visto. De uma semana, não. De um dia, dois dias, no máximo. Dessa vez eles foram mais ousados, radicalizaram. Por isso, o Estado não vai voltar atrás e eles vão ficar sufocados. Não vão ter condições de aguentar nossa pressão". (Isaac de Oliveira)

 

Números

 

8º Dia de ataques foi marcado por incêndio da Creche Municipal Irmã da Paz, no bairro Metrópole V, em Caucaia 

 

3 veículos foram incendiados na manhã de ontem, no bairro Passaré

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