PUBLICIDADE
Jornal

Caso Queiroz gera desgaste ao governo Bolsonaro

A divulgação de novos detalhes de relatórios do Coaf a cada dia geram preocupação e efeitos no governo de Jair Bolsonaro

21/01/2019 01:30:00
NULL
NULL

[FOTO1]

Com novas informações a cada dia, o caso envolvendo movimentações financeiras atípicas do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e seu ex-assessor Fabrício Queiroz se aprofundou no fim de semana e já se tornou principal "fantasma" a rondar os 20 primeiros dias do governo Jair Bolsonaro (PSL).

[SAIBAMAIS]

O caso tomou ares mais graves na manhã de ontem, após o jornal O Globo revelar que movimentações suspeitas em contas de Queiroz teriam envolvido mais de R$ 7 milhões em apenas três anos. Até agora, permanece expectativa em torno de uma manifestação do presidente, que embarcou ontem para o Fórum Econômico Mundial de Davos sem comentar o caso.

[FOTO2]

Em entrevista logo após assumir o Planalto, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), afirmou ontem que cabe ao filho de Jair Bolsonaro dar as explicações devidas para o caso. "O presidente não está tendo de se defender. Quem tem de se defender, se explicar, é o Flávio", disse Mourão. "Esse não é um caso do governo, é um caso da Justiça sobre um senador eleito, que tem o sobrenome Bolsonaro", conclui o vice.

O vice-presidente não quis responder se não era o caso de o presidente Bolsonaro "jogar os filhos aos leões" como defendem alguns assessores, para evitar contaminação do seu governo por essas denúncias. Mourão citou que quando apareceu o primeiro caso, envolvendo o Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, Jair Bolsonaro já disse que este era "um problema do Flávio e não dele".

[FOTO3]Reconheceu, no entanto, que o assunto possa "até preocupar o presidente, porque é o caso com um filho dele", mas insistiu que este "não é problema do governo". No Planalto, há um grande incômodo com a repercussão do caso. 

Pessoas próximas ao presidente avaliam que o governo pode ser contaminado, mesmo que o discurso oficial do vice-presidente e de todos os integrantes do primeiro escalão diga o contrário.

Assessores ouvidos pela reportagem reconhecem que não só entre os militares, mas também entre civis, particularmente os ligados ao ministro da Justiça, Sergio Moro, o desconforto é grande. Parte desse grupo avalia que essas críticas e denúncias "têm algum reflexo e que dá margem a especulações políticas", avaliam.

Para contra-atacar a agenda negativa imposta pela repercussão das denúncias, uma ala do governo trabalha em duas frentes. Uma de tentar ao máximo dissociar o governo dos problemas "pessoais do filho do presidente". 

Em outra, manter a agenda positiva dos dois pilhares mais importantes do governo até aqui: o ministro da Economia Paulo Guedes e Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública. O objetivo é usar ações das duas pastas para "tentar virar o disco" e impor uma nova agenda pública de discussão. Eles acreditam que medidas reais em benefício da população poderiam ajudar a tornar o caso Queiroz menor.

Há uma avaliação dentro do governo que é necessário evitar gastar capital político com o caso para não perder poder de fogo nas primeiras votações importantes no Congresso, como a reforma da Previdência.

Nas redes sociais, o bom desempenho do grupo de apoio a Jair Bolsonaro não 

vem se mantendo após o caso Queiroz, que colocou os apoiadores do presidente na internet na defensiva. Dentre as dez postagens que citam Flávio Bolsonaro com maior engajamento no Facebook nos últimos três dias, seis são de veículos de comunicação repercutindo novas denúncias contra Flávio Bolsonaro e duas são de sátiras críticas à família. (com Agência Estado)

 

Caso Coaf

6 de dezembro de 2018:

O jornal O Estado de S. Paulo revela que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente. Uma das transações citadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

12 de dezembro de 2018:

A revista Veja revela que depósitos na conta do ex-assessor coincidiam com pagamento de salários na Assembleia do Rio de Janeiro, reforçando suspeita de que ele recolhia parte dos salários de servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro. Em resposta, o filho do presidente disse que cobrou explicações de Queiroz sobre o caso.

19 de dezembro de 2018:

Queiroz não comparece a depoimento sobre o caso ao Ministério Público. A defesa alega "urgência médica, em uma inesperada crise de saúde". Dias depois, ele faltaria a outro depoimento e seria internado. A primeira aparição ocorre somente em 26 de dezembro, em entrevista ao SBT, onde revela estar com câncer no estômago.

12 de janeiro de 2019:

Circulam nas redes vídeo em que Fabrício Queiroz aparece dançando no Hospital Albert Einstein, enquanto tomava soro. A defesa do ex-assessor afirma que ele tentava "trazer um pouco de alegria" à enfermaria.

17 de janeiro de 2019:

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, atende a pedido de Flávio Bolsonaro e determina a suspensão da investigação. Pedido ocorre pois Flávio, que foi eleito senador pelo Rio, alega possuir foro privilegiado e ter sido acusado com base em provas obtidas ilegalmente.

18 de janeiro de 2019:

O Jornal Nacional revela que Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos suspeitos, no total de R$ 96 mil, em menos de um mês em 2017. Os depósitos foram feitos todos em caixas eletrônicos da Assembleia do Rio, sempre no mesmo valor: R$ 2 mil.

19 de janeiro de 2019:

O Jornal Nacional revela novos detalhes do relatório do Coaf no caso Queiroz. Segundo o jornal, o ex-assessor teria pagado um título bancário da Caixa Econômica Federal de mais de R$ 1 milhão. O relatório, no entanto, não identifica o favorecido nem a data do pagamento.

20 de janeiro de 2019:

O jornal O Globo revela que relatório do Coaf aponta, na verdade, que Fabrício Queiroz teria movimentado atipicamente R$ 7 milhões entre 2014 e 2017. Segundo o jornal, o valor até então divulgado, de R$ 1,2 milhão, diria respeito apenas ao período entre 2016 e 2017.

Carlos Mazza

TAGS