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Jornal

A agonia de Nicolás Maduro

reportagem

24/01/2019 01:30:00

No último dia 10 de janeiro, Nicolás Maduro ao tomar posse para o segundo mandato à frente do governo da Venezuela disparou ameaças e advertências às nações que explicitamente não o reconheceram como presidente. Maduro criticou opositores e afirmou que "a Venezuela está no centro de uma guerra mundial do imperialismo norte-americano e seus satélites, porém ainda temos força para muitos anos".

 

O isolamento de Maduro se consolidou e o rechaço ao seu novo mandato recebeu o apoio de muitas nações, dentre as quais os Estados Unidos, Canadá e o Grupo de Lima. O presidente do Paraguai declarou o rompimento das relações diplomáticas de seu país com a Venezuela e o fechamento da embaixada paraguaia em Caracas.

 

Nesta quarta-feira, 23, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição decidiu se autodeclarar presidente interino do país, diante de milhares de manifestantes antigoverno que tomaram as ruas para exigir a remoção do presidente Maduro.

 

O movimento ousado teve reflexos imediatos: em sua conta no Twitter a Casa Branca afirmou que "o presidente Donald Trump reconheceu oficialmente o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela". Um crescente número de outras nações ocidentais como Brasil e Argentina imediatamente seguiram a iniciativa dos EUA e também confirmaram o apoio ao governo de Guaidó.

 

Reconhecer Guaidó como presidente tem um efeito significativo sobre como as autoridades dos diversos países lidarão com seus colegas venezuelanos. Em particular, isso pode significar que a presença diplomática da Venezuela em Washington, Buenos Aires ou Brasília precisaria mudar, pois os diplomatas credenciados não mais representariam o governo reconhecido.

 

De fato, logo depois que os Estados Unidos confirmaram que viam Guaidó como presidente interino venezuelano, Maduro anunciou o rompimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos e deu ao país 72 horas para diplomatas americanos deixarem o país.

 

Por outro lado,poderia haver repercussões econômicas significativas para os interesses tanto dos países agora opositores de Maduro, quanto da Venezuela. Estes países poderiam apreender bens pertencentes ao Estado venezuelano no país e entregá-los às forças leais a Guaidó, por exemplo. Também serão levantadas questões sobre o que acontece com os diplomatas venezuelanos credenciados junto às Nações Unidas na cidade de Nova York.

 

É importante destacar, nesta queda de braços, que Maduro tem o apoio de Rússia e China. A Rússia continua sendo uma forte aliada e o presidente Vladimir Putin manifestou apoio a Maduro durante uma reunião em dezembro em Moscou. O país também recebeu apoio financeiro de US$ 5 bilhões da China quando Maduro visitou Pequim em setembro passado.

 

Maduro é um estrategista e sabe que já não tem o expressivo apoio popular dos tempos de Hugo Chávez e em meio a manifestações internas e externas pedindo sua renúncia, a solução para sua agonia é buscar uma saída populista e continuar no Palácio Miraflores.

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