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Um ano após chacina, julgamento segue sem data para ocorrer

| CHACINA DAS CAJAZEIRAS | Apesar de decretada prisão preventiva, acusados pelo assassinato de 14 pessoas em 27 de dezembro do ano passado ainda aguardam julgamento

26/01/2019 14:40:36

Ainda demora para que os responsáveis pelo assassinato de 14 pessoas no Forró do Gago, em 27 de janeiro de 2018, possam ser condenados. O caso da Chacina das Cajazeiras, que completa um ano amanhã, ainda aguarda decorrer o prazo que os réus têm para responder à denúncia do Ministério Público Estadual (MPCE). A acusação só foi recebida pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJCE) em dezembro, após quase 11 meses do crime.

Em nota, o TJCE explica que, somente com as respostas nos autos serão designadas as audiências de instrução. Só então ocorre o tribunal do júri, em que "sete pessoas do povo" fazem o julgamento, com o prevê a lei para casos de homicídio.

Quinze pessoas foram denunciadas pelo MPCE e tiveram prisão preventiva decretada. Quatro, apontadas como lideranças da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), foram enviadas a presídios federais, diz o TJCE. Zaqueu Oliveira da Silva foi o último a ser transferido, pela série de ataques no Estado iniciada em 2 de janeiro último. Esses homens são apontados como membros do "conselho superior" da GDE. Oito pessoas, ao todo, constam na denúncia do MPCE como tendo autorizado a matança — sete participariam da cúpula da facção.

Onze haviam sido indiciadas pela Polícia Civil, que ainda apontou dois adolescentes como participantes. Ao receber o inquérito, o MPCE entendeu haver elementos para denunciar ainda outras quatro pessoas. O POVO buscou contato com o promotor responsável pelo caso, mas foi informado, através da assessoria do MPCE, que ele não estava concedendo entrevistas sobre o tema.

Uma célula responsável pelas missões mais importantes da facção executou o crime, apontou o relatório do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ao qual O POVO teve acesso. A motivação veio da rivalidade entre as facções: o bairro seria dominado pelo Comando Vermelho (CV).

No entanto, os disparos foram efetuados de maneira aleatória. Antecedentes criminais apenas três vítimas tinham. Mais de uma centena de estojos de munição foram encontrados pela perícia. Uma granada chegou a ser arremessada, mas não explodiu. Os próprios criminosos reconheceriam isso. Em discussão após o crime, havia a queixa que muitos inocentes tinham sido mortos, sobretudo, mulheres, apurou o inquérito policial. Em depoimento, um dos presos disse que o principal alvo era o dono do local. No entanto, em áudio encontrado em celular apreendido, um reclama que "a pegada era para ter sido mais tarde para morrer mais gente".

Na consulta processual no sistema virtual do TJCE, aparece apenas um pedido de relaxamento de prisão relacionado ao caso. O beneficiado é Deijair de Souza Silva, o "De Deus", apontado no inquérito como o "01" da GDE. No pedido, a defesa nega a participação no crime. A acusação não teria "suporte em base real". "Neste processo o requerente foi alvo de diversos métodos de investigação ilegais,que sempre deixaram evidente o castelo teórico construído visando condená-lo sem provas". Em 11 de dezembro, o pedido foi negado pela Justiça: "Restam evidenciados indícios suficientes de autoria em relação ao acusado (...)".

Lucas Barbosa

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