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Guaidó se autointitula presidente e desafia Maduro na Venezuela

| tensão | Maduro qualificou iniciativa de Guaidó como "tentativa de golpe" e anunciou rompimento de relações diplomáticas com governo norte-americano

01/02/2019 03:58:04

O parlamentar Juan Guaidó, que se autoproclamou ontem presidente interino da Venezuela, pediu às missões diplomáticas de todos os países que se mantenham em Caracas, em um claro desafio à decisão do presidente Nicolás Maduro de romper relações com os Estados Unidos.

"Devido aos poderes que a Constituição me outorga, comunico a todos os chefes de missão diplomáticas e suas equipes creditadas na Venezuela que o Estado da Venezuela deseja firmemente que mantenham a sua presença diplomática em nosso país", assinalou Guaidó em um comunicado dirigido a todas as embaixadas.

 Momentos antes, Maduro havia decidido "romper relações diplomáticas e políticas com o governo imperialista dos Estados Unidos" e anunciou que a equipe diplomática americana tem 72 horas para deixar o país, em um discurso diante de milhares de partidários do balcão do palácio presidencial.

A decisão chegou momentos depois de Washington reconhecer Guaidó como presidente interino, que fez um juramento no cargo diante de uma multidão de seguidores que marchou por Caracas clamando por um governo de transição e pedindo eleições.

Em seu comunicado às embaixadas, Guaidó disse que "o poder legítimo da Venezuela", que assegura estar em suas mãos, tem o "firme propósito" de que as missões diplomáticas permaneçam no país.

"Qualquer disposição contrária careceria de validade, pois emanaria de pessoas ou entidades que, por seu caráter usurpador, não tem autoridade legítima para se pronunciar a respeito", continuou.

O Parlamento venezuelano, de maioria opositora, declarou há uma semana Maduro "usurpador" da Presidência depois que este assumiu um segundo mandato em 10 de janeiro.

Estados Unidos, Canadá, União Europeia e grande parte da América Latina consideram "ilegítimo" o segundo mandato de Maduro, por considerar que foi reeleito em maio em eleições fraudulentas.

Além dos Estados Unidos, países como Brasil, Colômbia, Peru, Chile e Canadá reconheceram Guaidó como presidente interino.

Por sua vez, Maduro qualificou a iniciativa de Juan Guaidó como "tentativa de golpe", orquestrada pelos Estados Unidos. Segundo ele, o "governo imperialista" dos EUA busca impor um "golpe de Estado".

"Um qualquer não pode se autointitular presidente, só o povo", ressaltou Maduro. Segundo ele, houve "eleições livres" na Venezuela em 15 de outubro, apesar das críticas ao processo de parte da comunidade internacional, inclusive do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia, bem como de vários países, como os EUA.

Por outro lado, o processo eleitoral foi apoiado por China, Irã, Rússia e Turquia, por exemplo.

Maduro comparou o quadro atual no país ao da tentativa de golpe enfrentado pelo então presidente Hugo Chávez (1954-2013), em 11 de abril de 2002. Ele lembrou que, na ocasião, o economista e empresário Pedro Carmona se autointitulou presidente, porém as forças de segurança retomaram o controle da situação e Chávez voltou ao posto. "Quem elegeu o presidente da República foi o povo e não nos calaremos".

Na opinião de Maduro, o governo americano comete "gravíssima insensibilidade e uma insensatez", ao reconhecer Guaidó como presidente interino. E disse que os EUA têm "interesse e ambição" pelo petróleo, o gás e o ouro do país. Além disso, criticou países vizinhos, falando em "lacaios da direita" que apoiam os americanos. (Com agências)

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