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Ensino Médio

BNCC 2019 é ano de estudar mudanças

| Ensino Médio| Nova Base Nacional Comum Curricular começa a direcionar trabalho de educadores. Mudanças passam a valer em 2022

01/02/2019 03:51:20

Homologada no fim do ano passado, a etapa do Ensino Médio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) dá os primeiros passos no caminho da implementação. O momento é de se debruçar sobre o documento para desenhar os novos currículos. Tanto na rede pública quanto na privada, a discussão deve ser acompanhada da formação de professores para adaptação às novas configurações propostas. O que guia a mudança é a perspectiva de flexibilização: para os alunos, na escolha dos itinerários formativos, e para as escolas, na estrutura dos currículos.

No Ceará, 460 das 722 escolas da rede estadual devem participar do Programa de Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular (ProBNCC), projeto-piloto do Ministério da Educação (MEC). Conforme Iane Nobre, coordenadora de gestão pedagógica da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), o ministério orienta um calendário de implementação. Dessa forma, nada vai mudar de concreto durante este ano. A mudança deve ocorrer, na prática, em 2021, para entrar em vigor em 2022.

"A primeira parte do programa é para que curriculistas, professores e profissionais da secretaria, com muito diálogo, construam um novo documento curricular da secretaria que vai servir de base para que as escolas façam seus planos e coloquem em seus projetos pedagógicos. À luz das competências que estão na base, serão escolhidos os conteúdos, as competências e habilidades", explica.

Ela detalha que a base é "uma seleção de direitos de aprendizagem do currículo mínimo, tudo o que não pode faltar". "Todos os alunos precisam estudar de alguma maneira as competências que estão na Base. Isso não significa que a escola só vai oferecer o que está na Base. Todo currículo precisa ser construído para poder dar um leque maior de oportunidades e ampliação dessas competências além da Base".

Depois que o currículo for aprovado, o segundo momento vai ser um trabalho de formação de professores para o desenvolvimento das competências contidas na BNCC. "Essa formação tem caráter instrumental, de uso do material que foi produzido. Mas também tem um caráter muito conceitual, de mudança de postura e mentalidade, abrindo os horizontes do trabalho pedagógico".

As propostas desenhadas ao longo de 2019 serão implementadas em 2020 só nas escolas-piloto. A experiência nas escolas-piloto vai ajudar a criar uma estrutura para a rede toda, a ser implementada a partir de 2021. De acordo com Iane, as instituições vão receber R$20 mil fixo mais R$170 por aluno. O total do ano é dividido em três parcelas.

Ela explica que o investimento pode ser usado para organização e preparação física da escola, como compra equipamentos e pequenas reformas. As unidades também podem contratar assessorias de formação, e comprar materiais didáticos. "A gente está aguardando orientações sobre como vão ser os próximos passos. A gente está orientando que as escolas comecem a estudar e entender", completa a coordenadora.

Para o professor Marcos Garcia Neira, diretor da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de São Paulo (USP), o período "ainda está muito nebuloso". "A gente não sabe os rumos que serão tomados. Sabemos o que existia no ano passado, o então ministro homologou. Agora, em tese, teremos que implementar. Mas a gente ainda não viu qual o projeto dessa gestão à frente do MEC", pondera.

Ele destaca que, neste momento, é importante analisar o texto da BNCC. "As pessoas estão acessando primeiro as críticas e elogios e não leem o documento. É preciso avaliar em que medida o documento pode trazer contribuições para as escolas e, principalmente, avaliar em que medida os próprios projetos das escolas estão à frente do documento. O documento pode ter interpretações e potenciais de mudança distintos conforme a escola. São infinitas realidades com distintos projetos pedagógicos, professores e alunos".

Marcos frisa a importância da formação de professores para a implementação de mudanças. "Há uma visão deturpada de que um documento muda uma realidade na sala de aula. É preciso realizar ações formativas. A base foi homologada no final do ano passado, precisamos dar um tempo para as pessoas digerirem isso. Teve secretaria que já montou carga horária, teve secretaria que não apresentou nada. É preciso estudar, analisar. Não tem essa de sair correndo para fazer nas escolas", afirma.

ANA RUTE RAMIRES