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caso queiroz gera desgaste ao governo Bolsonaro

| relatórios do coaf | A divulgação de novos detalhes de relatórios do Coaf a cada dia, geram preocupação sofre efeitos no governo de Jair Bolsonaro

INVESTIGAÇÃO TEVE INÍCIO com detecção de movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz
INVESTIGAÇÃO TEVE INÍCIO com detecção de movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz

Com novas informações a cada dia, o caso envolvendo movimentações financeiras atípicas do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e seu ex-assessor Fabrício Queiroz se aprofundou no fim de semana e já se tornou principal "fantasma" a rondar os 20 primeiros dias do governo Jair Bolsonaro (PSL).

O caso tomou ares mais graves na manhã de ontem, após o jornal O Globo revelar que movimentações suspeitas em contas de Queiroz teriam envolvido mais de R$ 7 milhões em apenas três anos. Até agora, permanece expectativa em torno de uma manifestação do presidente, que embarcou ontem para o Fórum Econômico Mundial de Davos sem comentar o caso.

Em entrevista logo após assumir o Planalto, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), afirmou ontem que cabe ao filho de Jair Bolsonaro dar as explicações devidas para o caso. "O presidente não está tendo de se defender. Quem tem de se defender, se explicar, é o Flávio", disse Mourão. "Esse não é um caso do governo, é um caso da Justiça sobre um senador eleito, que tem o sobrenome Bolsonaro", conclui o vice.

O vice-presidente não quis responder se não era o caso de o presidente Bolsonaro "jogar os filhos aos leões" como defendem alguns assessores, para evitar contaminação do seu governo por essas denúncias. Mourão citou que quando apareceu o primeiro caso, envolvendo o Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, Jair Bolsonaro já disse que este era "um problema do Flávio e não dele".

Reconheceu, no entanto, que o assunto possa "até preocupar o presidente, porque é o caso com um filho dele", mas insistiu que este "não é problema do governo". No Planalto, há um grande incômodo com a repercussão do caso. Pessoas próximas ao presidente avaliam que o governo pode ser contaminado, mesmo que o discurso oficial do vice-presidente e de todos os integrantes do primeiro escalão diga o contrário.

 Assessores ouvidos pela reportagem reconhecem que não só entre os militares, mas também entre civis, particularmente os ligados ao ministro da Justiça, Sergio Moro, o desconforto é grande. Parte desse grupo avalia que essas críticas e denúncias "têm algum reflexo e que dá margem a especulações políticas", avaliam.

Para contra-atacar a agenda negativa imposta pela repercussão das denúncias, uma ala do governo trabalha em duas frentes. Uma de tentar ao máximo dissociar o governo dos problemas "pessoais do filho do presidente". Em outra, manter a agenda positiva dos dois pilhares mais importantes do governo até aqui: o ministro da Economia Paulo Guedes e Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública. O objetivo é usar ações das duas pastas para "tentar virar o disco" e impor uma nova agenda pública de discussão. Eles acreditam que medidas reais em benefício da população poderiam ajudar a tornar o caso Queiroz menor.

Há uma avaliação dentro do governo que é necessário evitar gastar capital político com o caso para não perder poder de fogo nas primeiras votações importantes no Congresso, como a reforma da Previdência.

Nas redes sociais, o bom desempenho do grupo de apoio a Jair Bolsonaro não vem se mantendo após o caso Queiroz, que colocou os apoiadores do presidente na internet na defensiva. Dentre as dez postagens que citam Flávio Bolsonaro com maior engajamento no Facebook nos últimos três dias, seis são de veículos de comunicação repercutindo novas denúncias contra Flávio Bolsonaro e duas são de sátiras críticas à família. (com Agência Estado)

Carlos Mazza

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