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Maus-tratos em família e abuso sexual aos 10 anos

|violência |Relatório disponibilizado pela Justiça mostra que história de vida da adolescente trans aponta para uma infância sem direitos

01:30 | 07/12/2018
O perfil social da adolescente que teve a identidade de gênero reconhecida pela justiça cearense não é diferente do retrato de vulnerabilidade de crianças e adolescentes que sobrevivem nas zonas miseráveis de Fortaleza ou nas áreas menos assistidas nos municípios do interior do Estado.

Os 14 anos de vida da adolescente trans, internada numa unidade feminina do Ceará reporta maus-tratos, fim dos vínculos familiares, abandono, analfabetismo, fome, transtornos emocionais, preconceito por causa de sua identidade diversa de gênero e outras feridas decorrentes da exclusão social.

 

Segundo um Relatório Circunstancial repassado ao O POVO pelo juiz Eduardo Gibson, a adolescente ao ser apreendida por infração análoga a um crime sexual disse às socioeducadoras que não percebia como errado o ato infracional que lhe foi imputado até sua apreensão. Uma vez que a própria jovem teria sofrido violência sexual aos 10 anos de idade.

 

Não por menos. O POVO apurou que, desde os 11 anos, a adolescente faz acompanhamento na Rede de Atenção Psicossocial de forma continuada. Tendo passado por dois Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

 

De acordo com o relatório, a jovem faz uso de pelo menos três medicamentos para estabilizar o humor, de um ansiolítico e um remédio antidepressivo. Em seu histórico estão relacionados instabilidade emocional, agressividade e indicadores de déficit do desenvolvimento cognitivo.

 

De acordo com o relatório, são aspectos que estão relacionados diretamente com a experiência de violência que ela vivenciou desde o início da infância.